segunda-feira, 10 de junho de 2013

A Incrível Jornada Humana

 O documentário da BBC apresentado pela TV “Escola A Incrível Jornada Humana” (em inglês The Incredible Human Journey) é extremamente agradável e didático. Além de mostrar a forma incrível dos seres humanos, extremamente fracos como espécie animal de terem sobrevivido, mostra como foi colonizado todo o planeta com pioneiros caminhando.
A série traz todo o questionamento, das diversas hipóteses do surgimento da espécie humana e das diversas dúvidas e lacunas. A TV Escola, infelizmente só pode ser vista nas TV à cabo ou na Internet, o acréscimo do canal são as dicas como apresentar como material didático na sala de aula.
A incrivel jornada humana Texto
Assisti o primeiro episódio está no final do artigo (são cinco um para cada continente), e entusiasmado assistimos o segundo e o terceiro pela Internet. Nessa maratona de documentários vimos informações que não são transmitidas nos livros publicados em português aqui no Brasil. Com uma forma muito didática. Pela duração não acredito que haja possibilidade de ser empregado como material de uso em aula. Mas pode ser indicado aos alunos e trechos podem ser discutidos.
O mais interessante é o prazer que nos dá, em conhecer a nossa própria história. Um documentário escrito por uma acadêmica, com uma linguagem dinâmica de televisão . Sessão de cinema educacional com pipoca.
Estou colocando o link da versão da Internet, legendada e a versão da TV Escola é dublada. A versão na Internet é a original, há vários cortes na versão dublada onde a apresentadora, cientista e escritora inglesa Alice Roberts autora da série foi completamente retirada, imagino que seja uma versão feita para os Estados Unidos.
A proposta da série e o resumo do primeiro episódio.
A Incrível Jornada Humana em inglês The Incredible Human Journey é um documentário de ciência em cinco episódios e um livro de acompanhamento, escrito e apresentado por Alice Roberts. Transmitido pela primeira vez no BBC de televisão em maio e junho de 2009, no Reino Unido. Explica a evidência para a teoria de migrações humanas primeiros fora da África e, posteriormente, em todo o mundo, apoiando a teoria “Out of Africa”.
Esta teoria afirma que todos os seres humanos modernos são descendentes anatomicamente do moderno Homo Sapiens Africano ao invés do mais arcaico Homo Neanderthalensis existentes na Europa e Oriente Médio ou do nativo chinês Homo Pekinensis , e o moderno Homo Sapiens Africano não cruzou com as outras espécies do gênero Homo . Cada episódio diz respeito a um continente diferente, e a série conta com cenas filmadas em locações em cada um dos continentes em destaque. O primeiro episódio foi ao ar na BBC , 10 de Maio de 2009.
Pode conter revelações sobre o episódio, recomendável ler depois de assistir.
1. “Out of Africa” em português Fora da África

1. “Out of Africa” em português Fora da África
No primeiro episódio, Roberts introduz a ideia de que a análise genética sugere que todos os humanos modernos são descendentes de africanos. Ela visita o local da etnia Omo  na Etiópia , que são as mais antigas conhecidas de humanos anatomicamente modernos .Ela visita o "povo San" da Namíbia para demonstrar o estilo de vida caçador-coletor . Na África do Sul , visita o Pinnacle Point , para ver a caverna em que os primeiros humanos viveram. Então, explica que a genética sugere que todos os não-africanos podem descer de um único, pequeno grupo de africanos que deixaram dezenas continente há milhares de anos.Ela explora várias teorias sobre a rota eles tomaram. Ela descreve o local de Jebel Qafzeh em Israel como um provável beco sem saída para a migração Humana.  A partir de um travessia de Suez , vê uma rota através do Mar Vermelho e ao redor da costa da Arábia como a rota mais provável para os modernos ancestrais humanos, especialmente tendo em conta os níveis do mar mais baixos da passado.
Fontes Bristol University.
BBC e Wikipédia















domingo, 9 de junho de 2013

Festa do Imigrante– presença africana e latina em Sampa

 
18º FESTA DO IMIGRANTE – SÃO PAULO É COMO O MUNDO TODO
Em 2013  haverá a participação de um número ainda maior de comunidades das imigrações contemporâneas (como países da África e latinos), além daquelas que representam o grande fluxo migratório da virada do século XIX.

A 18ª Festa do Imigrante tem com principal objetivo valorizar e exteriorizar a cultura, tradições e saberes de todas as nacionalidades que compõem e constroem a cidade de São Paulo. Nessa edição, haverá a participação de um número ainda maior de comunidades das imigrações contemporâneas (como países da África e latinos), além daquelas que representam o grande fluxo migratório da virada do século XIX.

Em 2013, a tradicional Festa do Imigrante ganha mais um dia de celebração para acolher melhor os visitantes e contemplar mais apresentações artísticas e oficinas de artesanato e dança. O público que for ao evento poderá visitar a “Estação em Rede”, local que terá disponível terminais para consulta ao acervo digital do Museu da Imigração e ponto de coleta de depoimentos para o projeto “Cosmopaulistanos”.
Outro destaque da programação será o “Espaço Temperos do Mundo”, local onde os representantes de nacionalidades irão fazer receitas típicas de diversos lugares: Alemanha, Áustria, Bolívia, Brasil, Bulgária, Chile, Congo RDC, Coreia, Croácia, Espanha, França, Grécia, Hungria, Inglaterra, Ilha da Madeira, Índia, Israel, Itália, Japão, Líbano, Lituânia, México, Moçambique, Peru, Polônia, Portugal, Rússia e Turquia, além de fornecer dicas de preparo.
Sucesso em 2012, a Tenda Faz e Conta volta nessa edição do evento com sessões de contação de histórias e lendas para as crianças. Outra atividade prevista é a “Sala de Conversa”, com discussões sobre as principais questões relacionadas à imigração na atualidade como: direitos humanos dos migrantes, refúgio e tradições culturais.
A Festa do Imigrante celebra há 17 anos as manifestações culturais, artísticas e gastronômicas de diversas nações que povoam o Estado de São Paulo. Além disso, tem papel fundamental no resgate da história dos mais de 2,5 milhões de imigrantes que passaram pela antiga Hospedaria dos Imigrantes desde final do século XIX.
Ao longo dos anos, o evento vem conseguindo unir o tradicionalismo da iniciativa com a crescente participação do público e das comunidades. Em 2012, mais de 12 mil pessoas prestigiaram as comidas típicas, músicas, danças, artesanatos, entre outras manifestações, de 34 países, organizados em 55 expositores.
Fonte Museu do Imigrante
Foto da sobre a presença boliviana Bolívia Cultural 









Refugiados no Brasil chegam a 4.250

Número de refugiados no Brasil chega a 4.250


Brasília – A menos de duas semanas do Dia Mundial do Refugiado, um grupo de estrangeiros se reuniu hoje (8) em Brasília em um restaurante, fundado por refugiados cubanos. No cardápio, a comida típica de Cuba: arroz, feijão, carne e legumes. Nos depoimentos, os homenageados fizeram declarações de amor ao Brasil e às conquistas obtidas no país. O secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, disse à Agência Brasilque há 4.250 refugiados no país, de mais de 70 nacionalidades. Os maiores grupos são oriundos da Colômbia, de Angola e da Libéria.


Paulo Abrão, secretário nacional de Justiça (Marcello Casal Jr/ABr)  
“Procuramos receber todos com solidariedade e seguindo as orientações internacionais”, ressaltou Abrão, que participou do almoço oferecido pela família de Guillermo Pérez, refugiado cubano, na cidade de Riacho Fundo, que fica a cerca de 30 quilômetros do Plano Piloto de Brasília.
Os irmãos cubanos Laura e Guillermo Pérez Júnior não se cansam de elogiar o Brasil e o que conseguiram conquistar, depois que chegaram ao país. “Amo muito Cuba, lá estão todas as minhas raízes, mas aqui no Brasil consegui ter oportunidades e ganhar meu dinheiro”, disse Júnior, que é formado em curso técnico superior de engenharia mecânica e está no Brasil há dois anos.
 
Aos 21 anos, Laura Pérez está no Brasil há quatro anos e no final de 2013 concluirá o curso de administração superior. “Valeu muito a pena ter vindo para cá. Quero morar minha vida inteira no Brasil e só sair daqui para viajar pelo mundo”, disse ela, em um português perfeito. O amigo Gustavo Acoste Marrero, formado em curso técnico superior de gastronomia, também elogia.
“Tive dúvidas sobre vir para o Brasil, porque tenho uma filhinha e tive de deixá-la com a mãe em Cuba, mas quando vi que conseguia reunir em três meses uma quantia de dinheiro que era preciso um ano no meu país, resolvi ficar”, disse Gustavo Marrero.
O restaurante Laura, que serve de local de encontro para refugiados, foi fundado pelo casal Guillermo Vitón e Loida Labrada, que chegou a Brasília em 2009 e teve a condição de refúgio reconhecida pelo governo brasileiro. Ambos são formados em gastronomia e deixaram seu país em decorrência de suas atividades políticas.
O Dia Mundial do Refugiado é comemorado em 20 de junho, de acordo com a resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas, aprovada no ano 2000. Criada em 1950, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) é considerada uma das maiores entidades humanitárias do mundo, com representações em mais de 120 países.
Edição: Juliana Andrade
Renata Giraldi - Portal EB C08.06.2013 - 16h32 |

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Revelando a presença Africana na Europa

Uma exposição ocorrida  no Museu de Arte Walters, em Baltimore, MD
de 14 de outubro de 2012,  à 21 de janeiro de 2013.
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Revelando a presença Africana na Europa renascentista, uma exposição sem precedentes, explora o mundo da arte renascentista na Europa para trazer à vida a presença Africana escondida em seu meio.

Durante o primeiro semestre de 1500, a África tornou-se um foco de atenção europeia, não ocorrendo desde o tempo do Império Romano. A sede europeia para novos mercados já em meados dos anos 1400 dirigiu os Portugueses (e, posteriormente, o Ingleses e Holandeses) para explorar a criação de novas rotas de comércio ao longo da costa oeste da África e, na virada do novo século, no Oceano Índico . Ao mesmo tempo, a expansão do Império Otomano, no Norte da África trouxe os turcos em conflito militar e político com os interesses europeus. Estes elementos, juntamente com a importação de africanos capturados como escravos, principalmente da África Ocidental, cada vez mais suplantando o comércio de escravos de origem eslava (povos indo-europeus Búlgaros, Macedônios, Montenegrinos, Russos, Sérvios), resultou em uma presença Africana crescente na Europa.

Annibale Carracci (atribuído) Serva Preta (fragmento de maior retrato), ca. 1580

Annibale Carracci (atribuído) Serva Preta (fragmento de maior retrato), 1580

A primeira metade da exposição de cerca de 75 obras explora o histórico circunstâncias, bem como as convenções de exotismo que constituíram o prisma da "África", através do qual os indivíduos foram inevitavelmente percebidos. No segundo semestre, a atenção se desloca para os indivíduos, com foco em retratos.

Jacopo da Pontormo. Retratro Maria Salviati de Medici and Giulia de Medici, 1539,The Walters Art Museum, Baltimore

Jacopo da Pontormo. Retratro de Maria Salviati de Medici e Giulia de Medici, 1539,The Walters Art Museum, Baltimore

Estas imagens frequentemente muito sensíveis sublinhado o papel da arte em trazer pessoas do passado para a vida. Enquanto alguns africanos jogado respeitados, papéis públicos, os nomes da maioria dos escravos e homens e mulheres libertos são perdidas. Reconhecendo os vestígios de sua existência é uma maneira de restaurar a sua identidade.

Alemão ou flamengo. Retrato homem negro rico, 1540  Antuérpia.

Alemão ou flamengo. Retrato de homem negro rico, 1540  Antuérpia.

Como servos, filhos mestiços, ou ricos a presença negra se fazia presente na Europa.

fonte Walters Art Museum in Baltimore

Os Senhores Mulatos de Esmeraldas

“Os Senhores Mulatos de Esmeraldas”, 1599.
Pintado por Andrés Sánchez Gallque. Está no “Museo de América”, Madrid, Espanha
A participação do negro e do índio na América, negros livres da Província de Esmeralda são retratados por um pintor índio no Equador.
A primeira pintura da América, mostra o momento do acordo firmado entre os Senhores da Província de Esmeralda, os africanos fugidos ou que viajaram misturaram-se com os nativos do continente. Foi formado uma forte reação contra os espanhois.
O africano escravizado sempre se rebelou em busca da liberdade perdida. Esse retrato mostra a situação de uma região ocupada e mantida pela aliança entre africanos e nativos da América.
 
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“Os Senhores Mulatos de Esmeraldas”, 1599. Museo de América.
Este retrato mostra três homens de Esmeraldas, região ao longo da costa norte do Equador. Os documentos da época indicam que don Francisco de Arobe, o homem no centro, era um mulato , filho de um Africano e um índio. Este retrato comemora sua viagem para a capital regional Quito, onde como governador, ele cimentou o seu acordo para se converter ao cristianismo e aceitar o domínio espanhol.
Os três personagens, geralmente só usava "camisas e cobertores e outros índios" têm coberto para a ocasião "sua negritude com gibão espanhol e capa. enviar como um lembrete para o Rei, vestido como o espanhol", conforme relatado pelo próprio juiz, que também descreve o motivo baseado em "anéis de ouro puro para o pescoço e anéis de nariz, brincos, labrets e anéis em sua barba e nariz de botão ambiente próprio "do mundo indígena. O quadro é completado pela lança de ferro de ponta como uma referência para o mundo Africano.
Encomendado por um funcionário colonial como um presente para o rei de Espanha, a pintura mostra don Francisco e dois homens mais jovens seus filho Pedroe Domingo vestindo estilo indígena ponchos feitos de tecido Europeu e jóias de ouro local. Para completar suas roupas, eles também vestiram de estilo europeu coleiras roupas-pavão do mar, capas e chapéus.  Suas roupas européias referenciam o status elevado e comum a mistura cultural na América espanhola no final do século 16.
O artista, Andrés Sánchez Gallque, era um homem indígena nascido em Quito e treinados para pintar por frades. Ele pertencia à Confraria do Rosário, um dominicano grupo que procurou reunir índios, africanos e espanhóis. Sua obra e carreira sugerir como as interações entre pessoas de ascendência diferente e tradições contribuiu tanto para a cultura visual e viveu experiências da América espanhola.
Fonte Museo de América









quarta-feira, 5 de junho de 2013

Ser negro no Brasil hoje


Ética enviesada da sociedade branca desvia enfrentamento do problema negro
Milton Santos


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Há uma frequente indagação sobre como é ser negro em outros lugares, forma de perguntar, também, se isso é diferente de ser negro no Brasil. As peripécias da vida levaram-nos a viver em quatro continentes, Europa, Américas, África e Ásia, seja como quase transeunte, isto é, conferencista, seja como orador, na qualidade de professor e pesquisador. Desse modo, tivemos a experiência de ser negro em diversos países e de constatar algumas das manifestações dos choques culturais correspondentes. Cada uma dessas vivências foi diferente de qualquer outra, e todas elas diversas da própria experiência brasileira. As realidades não são as mesmas. Aqui, o fato de que o trabalho do negro tenha sido, desde os inícios da história econômica, essencial à manutenção do bem-estar das classes dominantes deu-lhe um papel central na gestação e perpetuação de uma ética conservadora e desigualitária. Os interesses cristalizados produziram convicções escravocratas arraigadas e mantêm estereótipos que ultrapassam os limites do simbólico e têm incidência sobre os demais aspectos das relações sociais. Por isso, talvez ironicamente, a ascensão, por menor que seja, dos negros na escala social sempre deu lugar a expressões veladas ou ostensivas de ressentimentos (paradoxalmente contra as vítimas). Ao mesmo tempo, a opinião pública foi, por cinco séculos, treinada para desdenhar e, mesmo, não tolerar manifestações de inconformidade, vistas como um injustificável complexo de inferioridade, já que o Brasil, segundo a doutrina oficial, jamais acolhera nenhuma forma de discriminação ou preconceito.

Nene


500 anos de culpa
Agora, chega o ano 2000 e a necessidade de celebrar conjuntamente a construção unitária da nação. Então é ao menos preciso renovar o discurso nacional racialista. Moral da história: 500 anos de culpa, 1 ano de desculpa. Mas as desculpas vêm apenas de um ator histórico do jogo do poder, a Igreja Católica! O próprio presidente da República considera-se quitado porque nomeou um bravo general negro para a sua Casa Militar e uma notável mulher negra para a sua Casa Cultural. Ele se esqueceu de que falta nomear todos os negros para a grande Casa Brasileira. Por enquanto, para o ministro da Educação, basta que continuem a frequentar as piores escolas e, para o ministro da Justiça, é suficiente manter reservas negras como se criam reservas indígenas. A questão não é tratada eticamente. Faltam muitas coisas para ultrapassar o palavrório retórico e os gestos cerimoniais e alcançar uma ação política consequente. Ou os negros deverão esperar mais outro século para obter o direito a uma participação plena na vida nacional? Que outras reflexões podem ser feitas, quando se aproxima o aniversário da Abolição da Escravatura, uma dessas datas nas quais os negros brasileiros são autorizados a fazer, de forma pública, mas quase solitária, sua catarse anual?
Hipocrisia permanente
No caso do Brasil, a marca predominante é a ambivalência com que a sociedade branca dominante reage, quando o tema é a existência, no país, de um problema negro. Essa equivocação é, também, duplicidade e pode ser resumida no pensamento de autores como Florestan Fernandes e Octavio Ianni, para quem, entre nós, feio não é ter preconceito de cor, mas manifestá-lo. Desse modo, toda discussão ou enfrentamento do problema torna-se uma situação escorregadia, sobretudo quando o problema social e moral é substituído por referências ao dicionário. Veja-se o tempo politicamente jogado fora nas discussões semânticas sobre o que é preconceito, discriminação, racismo e quejandos, com os inevitáveis apelos à comparação com os norte-americanos e europeus. Às vezes, até parece que o essencial é fugir à questão verdadeira: ser negro no Brasil o que é? Talvez seja esse um dos traços marcantes dessa problemática: a hipocrisia permanente, resultado de uma ordem racial cuja definição é, desde a base, viciada. Ser negro no Brasil é frequentemente ser objeto de um olhar vesgo e ambíguo. Essa ambiguidade marca a convivência cotidiana, influi sobre o debate acadêmico e o discurso individualmente repetido é, também, utilizado por governos, partidos e instituições. Tais refrões cansativos tornam-se irritantes, sobretudo para os que nele se encontram como parte ativa, não apenas como testemunha. Há, sempre, o risco de cair na armadilha da emoção desbragada e não tratar do assunto de maneira adequada e sistêmica.
Marcas visíveis
Que fazer? Cremos que a discussão desse problema poderia partir de três dados de base: a corporeidade, a individualidade e a cidadania. A corporeidade implica dados objetivos, ainda que sua interpretação possa ser subjetiva; a individualidade inclui dados subjetivos, ainda que possa ser discutida objetivamente. Com a verdadeira cidadania, cada qual é o igual de todos os outros e a força do indivíduo, seja ele quem for, iguala-se à força do Estado ou de outra qualquer forma de poder: a cidadania define-se teoricamente por franquias políticas, de que se pode efetivamente dispor, acima e além da corporeidade e da individualidade, mas, na prática brasileira, ela se exerce em função da posição relativa de cada um na esfera social.
Costuma-se dizer que uma diferença entre os Estados Unidos e o Brasil é que lá existe uma linha de cor e aqui não. Em si mesma, essa distinção é pouco mais do que alegórica, pois não podemos aqui inventar essa famosa linha de cor. Mas a verdade é que, no caso brasileiro, o corpo da pessoa também se impõe como uma marca visível e é frequente privilegiar a aparência como condição primeira de objetivação e de julgamento, criando uma linha demarcatória, que identifica e separa, a despeito das pretensões de individualidade e de cidadania do outro. Então, a própria subjetividade e a dos demais esbarram no dado ostensivo da corporeidade cuja avaliação, no entanto, é preconceituosa.
A individualidade é uma conquista demorada e sofrida, formada de heranças e aquisições culturais, de atitudes aprendidas e inventadas e de formas de agir e de reagir, uma construção que, ao mesmo tempo, é social, emocional e intelectual, mas constitui um patrimônio privado, cujo valor intrínseco não muda a avaliação extrínseca, nem a valoração objetiva da pessoa, diante de outro olhar. No Brasil, onde a cidadania é, geralmente, mutilada, o caso dos negros é emblemático. Os interesses cristalizados, que produziram convicções escravocratas arraigadas, mantêm os estereótipos, que não ficam no limite do simbólico, incidindo sobre os demais aspectos das relações sociais. Na esfera pública, o corpo acaba por ter um peso maior do que o espírito na formação da socialidade e da sociabilidade.
Peço desculpas pela deriva autobiográfica. Mas quantas vezes tive, sobretudo neste ano de comemorações, de vigorosamente recusar a participação em atos públicos e programas de mídia ao sentir que o objetivo do produtor de eventos era a utilização do meu corpo como negro -imagem fácil- e não as minhas aquisições intelectuais, após uma vida longa e produtiva. Sem dúvida, o homem é o seu corpo, a sua consciência, a sua socialidade, o que inclui sua cidadania. Mas a conquista, por cada um, da consciência não suprime a realidade social de seu corpo nem lhe amplia a efetividade da cidadania. Talvez seja essa uma das razões pelas quais, no Brasil, o debate sobre os negros é prisioneiro de uma ética enviesada. E esta seria mais uma manifestação da ambiguidade a que já nos referimos, cuja primeira consequência é esvaziar o debate de sua gravidade e de seu conteúdo nacional.


Olhar enviesado
Enfrentar a questão seria, então, em primeiro lugar, criar a possibilidade de reequacioná-la diante da opinião, e aqui entra o papel da escola e, também, certamente, muito mais, o papel frequentemente negativo da mídia, conduzida a tudo transformar em "faits-divers", em lugar de aprofundar as análises. A coisa fica pior com a preferência atual pelos chamados temas de comportamento, o que limita, ainda mais, o enfrentamento do tema no seu âmago. E há, também, a displicência deliberada dos governos e partidos, no geral desinteressados do problema, tratado muito mais em termos eleitorais que propriamente em termos políticos. Desse modo, o assunto é empurrado para um amanhã que nunca chega.
Ser negro no Brasil é, pois, com frequência, ser objeto de um olhar enviesado. A chamada boa sociedade parece considerar que há um lugar predeterminado, lá em baixo, para os negros e assim tranquilamente se comporta. Logo, tanto é incômodo haver permanecido na base da pirâmide social quanto haver "subido na vida".
Pode-se dizer, como fazem os que se deliciam com jogos de palavras, que aqui não há racismo (à moda sul-africana ou americana) ou preconceito ou discriminação, mas não se pode esconder que há diferenças sociais e econômicas estruturais e seculares, para as quais não se buscam remédios. A naturalidade com que os responsáveis encaram tais situações é indecente, mas raramente é adjetivada dessa maneira. Trata-se, na realidade, de uma forma do apartheid à brasileira, contra a qual é urgente reagir se realmente desejamos integrar a sociedade brasileira de modo que, num futuro próximo, ser negro no Brasil seja, também, ser plenamente brasileiro no Brasil.

Artigo escrito por Milton Santos, geógrafo, professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP
Fonte: Folha de S.Paulo T

sábado, 1 de junho de 2013

“ESSES IDOSOS NEGROS REPRESENTAM A PRÓPRIA MENSAGEM”

Convidamos V.Sª e Família para a Defesa Pública da Dissertação de Mestrado em Gerontologia: “Esses Idosos Negros Representam a Própria Mensagem”, de autoria de Sônia Maria Pereira Ribeiro.

 

Dissertação Idoso

Dia: 06 de Junho de 2013

Horário: 15h

Local: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC)

Endereço: Rua Ministro de Godói, 969 - Perdizes – São Paulo (SP)

4º Andar – Lado B

“ESSES IDOSOS NEGROS REPRESENTAM A PRÓPRIA MENSAGEM”

Antonio Lúcio, Carlos Alberto Caó dos Santos, Carlos de Assumpção, Charles Moore, Eduardo de Oliveira, Haroldo Costa, Milton Gonçalves, Nei Braz Lopes, Ruth Botelho Guimarães, Oswaldo de Camargo. Esses idosos negros – modelos de velhices ativas, referências intelectuais e ícones sociais – são os abordados na dissertação de mestrado da jornalista Sônia Maria Pereira Ribeiro.

São profissionais que atuam ora conjuntamente ora alternadamente no jornalismo, na literatura, nas artes, no magistério, na política e em outras atividades, com olhar e postura voltados para a promoção da igualdade racial. Para tanto, utilizam diferentes meios de produção e divulgação do conhecimento, tais como: publicação de livros; elaboração de artigos para jornais, revistas e mídias convencionais e eletrônicas; depoimentos e entrevistas em rádio e TV; ministério de cursos, palestras e seminários; magistério em faculdades e universidades; atuação no teatro, televisão e cinema; sites e blogs, sempre transitando da oralidade à comunicação virtual. Com isso, comprovam que velhice não é sinônimo de incapacidade intelectual, de desconhecimento de avanços ou de esquecimento do passado, pois em suas obras e em suas vidas adotam tanto o tradicional quanto o ultramoderno.

Ressalte-se que, a obra e as atuações desses profissionais, são reconhecidas nacional e internacionalmente, e ultrapassam os limites da transmissão de informações e da divulgação de costumes conservados no Brasil, o que os tornam referência para os afrodescendentes da diáspora africana. E registre-se que, esses negros, há mais de meio século têm contribuído para a formação da cultura nacional e para transformações sociais ocorridas na sociedade brasileira. Enfim, são pessoas que alcançaram (gozam) de êxito profissional, reconhecimento acadêmico, prestígio internacional e respeito pessoal, a despeito do racismo para com os negros e do preconceito para com os idosos.

Para a autora da dissertação, as ações desses idosos negros são ações políticas, uma vez que elas visam transformações sociais; além disso, são atos de comunicação. E, em combinação, as ações desses negros em idade avançada configuram um SISTEMA ABERTO E INFORMAL DE COMUNICAÇÃO VOLTADO PARA A PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL.

Segundo a autora, esse Sistema de Comunicação teve início de maneira espontânea, isto é, a partir do momento em elas – as ações de os mesmos – passaram a se interagir e a se afetarem mutuamente.

Ainda para a autora do estudo, as linhas de raciocínio que orientam o referido Sistema, são: “A história é a memória de um povo”; “Não se pode viver com a memória do outro”; “Toda verdade histórica há de ser fundada sobre provas”; O conhecimento da própria história pode levar a uma catarse libertadora”. É importante observar que essas linhas de raciocínio remetem ao pensamento do historiador africano Joseph Ki-Zerbo; logo, a fundamentação dos argumentos apresentados pela autora tem como referência esse autor africano da contemporaneidade.

E considerando a própria biografia de cada um dos retratados, a autora da dissertação, afirma que: ESSES IDOSOS NEGROS REPRESENTAM A PRÓPRIA MENSAGEM.

SERVIÇO:

Sônia Maria Pereira Ribeiro

Jornalista,

Especialista em documentação cartorária referente ao escravismo no Vale do Paraíba, especialmente na cidade de Taubaté-SP;

Sócio-Fundador e Imortal da Academia Taubateana de Letras – Cadeira nº 3;

Pós-graduada em Língua Portuguesa e Comunicação Social;

Professora de História da Imprensa Brasileira e História da Comunicação;

Colaboradora do site www.afropress.com;

156 artigos, publicados em diferentes mídias do Vale do Paraíba paulista;

32 contos, publicados pela Academia Taubateana de Letras;

3 vezes premiada em concurso nacional de monografias;

1 vez premiada pela Fundação Kalouste Gulbekian – Lisboa – Portugal;

3 vezes proferiu Aula Magna em universidades do Vale do Paraíba paulista e fluminense;

Em parceria com o professor Emérito, Erasmo de Freitas Nuzzi, elaborou o trabalho Imprensa de Língua Portuguesa –Cinturão Cultural ao Redor do Mundo, trabalho esse apresentado no Ministério da Educação de Portugal. Esse trabalho, por sua vez, gerou a exposição do mesmo nome, a qual foi exposta no Memorial da América Latina-SP;

2 outros trabalhos publicados pelo Ministério da Educação de Portugal; e, ainda, pela Fundação Casper Líbero-SP;

2 vezes retratada em TCC, por alunos da Universidade de Taubaté;

18 vezes orientou trabalhos de TCC, no Departamento de Comunicação Social da Universidade de Taubaté – UNITAU.