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quinta-feira, 4 de julho de 2013

Mandela está bem diz Graça Machel

Mandela está bem embora sinta dores, diz mulher do ex-presidente

04/07/2013 - 10h17
A mulher do antigo Presidente sul-africano Nelson Mandela disse, esta quinta-feira, que Madiba está bem, embora "às vezes sinta dores", e agradeceu o apoio e as mensagens recebidas de todo mundo a propósito do estado crítico do marido..
Graça Machel chegando Hospital
Graça Machel à chegada ao hospital onde Mandela está internado – Foto APP
Graça Machel, mulher do ex-presidente da África do Sul e Prêmio Nobel da Paz de 1993, Nelson Mandela, de 94 anos, disse hoje (4) que seu marido “está bem, embora às vezes sinta dores”. Mandela está internado em um hospital de Pretória devido a uma infecção pulmonar. Nos últimos dias, a informação era que Mandela estava em estado crítico e estável.
“Madiba [apelido de Mandela que significa O Conciliador] às vezes sente-se desconfortável, com dor, mas está bem”, disse Graça Machel que, durante cerimônia pública em homenagem a Mandela, destacou “o amor eterno de Madiba pelas crianças”.
“As demonstrações de amor, de caridade, de apoio e de esperança são lembradas nos nossos corações todos os dias”,  acrescentou. Mandela foi o primeiro presidente negro da África do Sul e passou 27 anos na prisão por lutar contra o apartheid (regime de segregação racial no país).
"Obrigado, obrigado, obrigado", agradeceu Graça Machel na apresentação da mais recente série de eventos em memória de Mandela, numa altura em que o seu marido está internado em estado crítico no hospital de Pretória.
A também viúva do antigo Presidente moçambicano Samora Machel destacou "o amor eterno de Madiba pelas crianças" e sugeriu aos sul-africanos que, além de honrar Mandela com presentes deixados à frente do hospital ou na sua casa, devem fazer doações a projetos de caridade patrocinados pelo prêmio Nobel sul-africano.
"As demonstrações de amor, de caridade, de apoio e de esperança são tomadas nos nossos corações todos os dias", acrescentou.
Nelson Mandela foi internado a 8 de junho num hospital de Pretória depois de ter contraído uma infeção pulmonar, tendo o seu estado de saúde piorado no dia 23 de junho.
Fontes:
Jornal de Noticias – Portugal
Agência pública de notícias de Portugal, Lusa
Agência Brasil: Graça Adjuto
Renata Giraldi









quarta-feira, 26 de junho de 2013

O Apartheid na África do Sul

O ex-presidente Nelson Mandela foi o grande nome do fim do apartheid na África do Sul. Mas o que foi o apartheid? Sustentado pela ideia da supremacia branca, o apartheid foi um regime de segregação racial estabelecido após as eleições gerais de 1948, quando o Partido Nacional Reunido e o Partido Africâner venceram com a promessa de acentuar a separação entre brancos e negros - herança do período colonial de ocupação holandesa e britânica. As legendas formaram o Partido Nacional, que governaria o país até 1994, quando Mandela chegou à presidência.
Mandela antes da prisão
Mas até Madiba (apelido de Mandela) levar o seu partido, o Congresso Nacional Africano, ao poder a maioria negra da África do Sul viveu anos impossibilitada de uma cidadania plena.
south_africa_map
Segregação cotidiana Até 1950, o Partido Nacional já havia banido o casamento interracial e proibido sul-africanos brancos e negros de manterem relações sexuais. No entanto, as bases para o regime do apartheid -  separação em africâner - seriam instituídas naquele ano com a entrada em vigor da Lei de Registro Populacional, que obrigou os cidadãos a serem classificados entre quatro raças oficiais: bantu (africanos negros), mestiços, brancos e asiáticos (cidadãos de origem indiana e paquistanesa).
Os cidadãos não brancos acima de 18 anos eram obrigados a portar um cartão de identidade que os identificasse por raça para circularem em áreas restritas sob o risco de serem presos caso não o fizessem. Em seguida, uma nova lei estipulou que agrupamentos de pessoas não poderiam contar com múltiplas raças, o que levou a uma reconfiguração populacional baseado em deslocamentos forçados.
Além disso, leis agrárias deram à minoria branca - em torno de 20% da população da época - cerca de 80% das terras do país, além de quase a totalidade das terras férteis e dos recursos naturais. Foram banidas as principais organizações de negros, com o partido Congresso Nacional Africano (CNA) e múltiplos sindicatos, bem como a participação eleitoral dos bantus. Ou seja, os negros sul-africanos não tinham direito de votar, muito menos de se candidatar.
Os serviços públicos foram divididos entre cada uma das raças, o que levou os brancos a terem educação e saúde de primeiro mundo e o restante da população a serviços precários. Como resultado dessas e de outras restrições, o contato entre as raças se limitou ao mínimo necessário e, na prática, somente os trabalhadores negros tinham contato com seus patrões brancos.
Pátrias bantus
O segregacionismo ainda viria a ser intensificado durante em 1959, no governo do primeiro-ministro Hendrik Verwoerd, com sua política de desenvolvimento separado e o ato de autogoverno, que criou dez pátrias independentes para os bantus, que ficariam conhecidos como bantustões. 

Africa do Bantustões 
Todos os negros sul-africanos foram designados como cidadãos de uma dessas áreas. O sistema supostamente dava aos negros totais direitos políticos em seus territórios, mas retiravam deles os direitos na África do Sul. No fundo, a iniciativa queria prevenir que os negros se unificassem em uma organização nacionalista. Com isso, mais de 3,5 milhões de pessoas foram removidas à força de suas casas e transferidas para suas novas pátrias.
Em 1976, crianças negras de Soweto - reduto da maioria oprimida nos arredores de Johanesburgo - foram alvejadas com balas de borracha e gás lacrimogêneo quando protestavam contra o ensino da língua africâner. À repressão segiu-se uma onda de protestos e mais violência contra os negros, fato que atraiu críticas da comunidade internacional e, junto de uma crise financeira, ajudou a romper com a ilusão de que o apartheid trouxe paz e prosperidade para a nação.
Pressão internacional
No mesmo ano, o Conselho de Segurança das ONU impôs um embargo à venda de armas para a África do Sul. Em 1985, o Reino Unido e os Estados Unidos impuseram sanções econômicas ao país. A África do Sul também era impedida de participar dos maiores eventos esportivos mundiais, como os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo de futebol, o que reforçava o isolacionismo do país.

No final de década de 1980, durante o governo de Pieter Botha, o Partido Nacional tentou reformar o regime, abolindo a proibição de casamentos interraciais e a obrigatoriedade dos negros de apresentarem permissões para circular no país.
As tímidas mudanças, no entanto, levaram Botha a renunciar em favor de Frederik de Klerk, que logo viria a repelir a Lei de Registro Populacional e grande parte do suporte legal do regime do apartheid. Em 2 de fevereiro de 1990, De Klerk anuncia que o fracasso do apartheid e põe fim às proibições dos partidos, incluindo o CNA. Nove dias mais tarde, Nelson Mandela deixava a prisão após 27 anos encarcerado.
Mandela e De Klerk
Mandela e De Klerk lideraram um período de negociações que enterrou as bases legais do sistema e para garantir uma transição pacífica do país. Uma nova Constituição entrou em vigor em 1994. As eleições do mesmo ano culminaram com a vitória de Nelson Mandela e a um governo de coalizão da maioria não branca, encerrando oficialmente o sistema do apartheid.
fontes: noticias.terra.com.mundo
         Mubi mubi.com
         http://multipolarfuture.com