quinta-feira, 31 de maio de 2018

A primeira rainha negra da Inglaterra?


Passado o frenesi do casamento real na Inglaterra, volto à um ponto interessante, não sobre a magia de casar com príncipes, princesas, reis, rainhas...

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o Príncipe Harry e Meghan Markle

Mas referente à declaração racial da agora condessa a atriz Meghan Markle, de pai branco e mãe negra, ela se declara biracial nos Estados Unidos.

Meeghan e pai

Thomas Markle com Meghan Markle criança

Cá nesse Brasil após as cotas afirmativas, foram as mais variadas declarações, mas o tema central foi: “Não é negra, olhe os traços finos, fez plástica de rinoplastia, clareou a pele, quando criança era diferente, é palmiteira”. Não vou comentar, pois muita gente já fez isso. Há a forma como você se vê, há a maneira como os outros lhe veem, e o que você realmente é ou significa na sociedade. Até quando um descendente de africanos, conserva sua origem? O que vale o conceito brasileiro uma gota de sangue branco, branco. Ou conceito europeu, uma gota de sangue negro, negro.

Mãe no casamento

Doria Ragland mãe de Meghan Markle

Vou citar algo diferente, e se ela não se afirmasse como biracial? Com uma mãe presente no casamento com um chapéu (ah os chapéus de casamentos...) que remete as boinas dos militantes do Partido dos Panteras Negras. Não vou questionar essa possibilidade, vou mergulhar na história da família real inglesa.

Queen-Charlotte    

Carlota  - Por Esther Denner, 1761


A rainha Shophie Charlotte de Mecklenburg-Strelitz, (19 de maio de 1744 - 17 de novembro de 1818) foi uma rainha britânica consorte e esposa do rei George III da Inglaterra. Seu marido o rei George III era o rei quando houve a Guerra de Independência dos Estados Unidos, depois foi declarado louco e afastado do trono. A Rainha Charlotte é a avó da Rainha Vitória a grande Imperatriz do então poderoso Império Britânico.


Rainha Charlotte por Allan Ramsay , 1761

Rainha Charlotte por Allan Ramsay , 1761

A Rainha Charlotte, alemã de nascimento, teve ainda em vida cobranças de suas origens africanas, declarações de seus súditos, quadros com suas feições africanas suavizadas ou acentuadas por artistas. E de onde viriam essas origens africanas?

Sophie Charlotte descendia diretamente de um ramo africano da Casa Real Portuguesa, Margarita de Castro y Sousa. Seis linhas diferentes podem ser traçadas desde a Princesa Sophie Charlotte até Margarita de Castro e Sousa. Durante quase setecentos anos a Península Ibérica, foi dominada e colonizada por mouros africanos. Esses era os reis, rainhas, príncipes, princesas e nobres. A primeira rainha negra da Inglaterra?

A Rainha Charlotte era cobrada por sua descendência, de cinco ou seis ancestrais africanos. Os mouros são os culpados?

Eles invadiram, a Espanha, Portugal, França, Itália...

Hugo Ferreira Zambukaki


Para saber mais sobre a polêmica:

Meet Sophia Charlotte, the First Black Queen of England  - http://atlantablackstar.com/2015/10/14/meet-sophia-charlotte-first-black-queen-england/

Carlota de Mecklemburgo-Strelitz

https://pt.wikipedia.org/wiki/Carlota_de_Mecklemburgo-Strelitz

Queen Charlotte: Was She the First Black English Queen?

https://heavy.com/news/2018/05/queen-charlotte-black-african-mixed-race/

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Quanto Portugal pagou pelo Nordeste aos holandeses

Reparações? Veja quanto Portugal pagou para retomar o Nordeste, mesmo os brasileiros tendo vencido os holandeses.O negócio do Brasil”

Como Portugal comprou o Nordeste dos holandeses R$ 3 bilhões

Em livro relançado, historiador brasileiro diz que lusitanos pagaram o equivalente a 63 toneladas de ouro para ter região de volta mesmo depois de derrotar holandeses no século 17.


O Negocio do Brasil



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Quadro do pintor brasileiro Victor Meirelles de Lima retrata Batalha dos Guararapes (1648/1649), que encerrou período do domínio holandês no Brasil (Foto: BBC/Wikipedia)

Mesmo depois de terem sido derrotados, os holandeses receberam dos portugueses o equivalente a R$ 3 bilhões em valores atuais para devolver o Nordeste ao controle lusitano no século 17.

O pagamento ─ que envolveu dinheiro, cessões territoriais na Índia e o controle sobre o comércio do chamado Sal de Setúbal – correspondeu à época a 63 toneladas de ouro, como conta Evaldo Cabral de Mello, historiador e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), no livro "O negócio do Brasil", que está sendo relançado em uma nova edição ilustrada pela Editora Capivara, de Pedro Correia do Lago, ex-presidente da Fundação Biblioteca Nacional. A edição original foi lançada em 1998.

Em valores atuais, o montante equivaleria a 480 milhões de libras esterlinas (ou cerca de R$ 3 bilhões). O cálculo foi feito à pedido da BBC Brasil por Sam Williamson, professor de economia da Universidade de Illinois, em Chicago, nos Estados Unidos, e co-fundador do Measuring Worth, ferramenta interativa que permite comparar o poder de compra do dinheiro ao longo da história.

"Esta foi a solução diplomática para um conflito militar. O pagamento fez parte da negociação de paz. O que não quer dizer que a guerra não tenha sido necessária", afirmou Cabral de Mello à BBC Brasil.

'Pechincha'

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Bandeira da Nova Holanda, como ficou conhecida a colônia da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais no Brasil (Foto: BBC/Wikipedia)

Os holandeses ocuparam o Nordeste por cerca de 30 anos, de 1630 a 1654, em uma área que se estendia do atual Estado de Alagoas ao Estado do Ceará. Eles também chegaram a conquistar partes da Bahia e do Maranhão, mas por pouco tempo.

Por trás das invasões, havia o interesse sobre o controle do comércio e comercialização da matéria-prima.

Isso porque, como conta Cabral de Mello, antes mesmo de ocupar o Nordeste, os holandeses já atuavam na economia brasileira com o apoio de Portugal, processando e refinando a cana de açúcar brasileira.

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Gravura holandesa retrata o cerco a Olinda em 1630 (Foto: BBC)

"Quando o reino português foi incorporado pela Espanha, essa parceria acabou. Os espanhóis romperam esse acordo, que rendia altos lucros aos holandeses. Além disso, a relação entre os holandeses e os espanhóis já não era boa, já que a Holanda havia se tornado independente do império espanhol em 1581", diz o historiador.

Durante o período em que ocuparam parte do Nordeste, os holandeses foram responsáveis por inúmeras mudanças importantes, inclusive urbanísticas, principalmente durante o governo de Johan Maurits von Nassau-Siegen, ou Maurício de Nassau.

Com o intuito de transformar Recife na "capital das Américas", Nassau investiu em grandes reformas, tornando-a uma cidade cosmopolita. Apesar de benquisto, ele acabou acusado por improbidade administrativa e foi forçado a voltar à Europa em 1644.

'Sem heroísmo'

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Quadro do pintor espanhol Juan Bautista Maíno retrata reconquista de Salvador pelas tropas hispano-portuguesas (1635) (Foto: BBC)

Naquele ano, Portugal já havia se separado da Espanha, mas demorou para enviar soldados para retomar o Nordeste. A região só foi reintegrada em janeiro de 1654.

Cabral de Mello, que é especialista no período de domínio holandês, diz que a tese de que os holandeses foram expulsos pela valentia dos portugueses, índios e negros "não é completa".

"Os senhores de engenho locais financiaram a luta pela expulsão dos holandeses, já que deviam mundos e fundos à Companhia das Índias Ocidentais, que lhe havia emprestado dinheiro. Eles, no entanto, não tinham como pagar a dívida", explica o historiador.

"Os holandeses acabaram derrotados, mas não sem antes pressionar Portugal pelo pagamento dessa dívida, inclusive chegando a bloquear o Tejo (Rio Tejo). O pagamento não foi feito em ouro, mas um observador da época fez a correspondência para o metal precioso".

"Portugal teve de pagar 10 mil cruzados aos holandeses. Também fez parte do acordo a transferência do controle de duas possessões territoriais portuguesas na Índia ─ Cranganor e Cochim ─ e o monopólio do comércio do Sal de Setúbal".

Luís Guilherme Barrucho Da BBC Brasil em Londres 12/10/2015

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Quinzena do Negro na USP 1977

Ato Celebração (9) (1024x768)

Nós que fundamos o Movimento Negro Unificado (inicialmente Movimento Unificado Contra a Discriminação Racial) em 1978, na época tínhamos contatos com os movimentos de libertação que ocorriam na África, e com os movimentos negros da Diáspora. Tínhamos, mas no dia sete de julho comemoramos nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo 39 anos de MNU. Surgido em 1978 quando ocorreria as festividades dos 90 anos da Abolição da Escravatura, nós então jovens protestávamos pela morte de um jovem dentro de uma delegacia, e prela proibição de atletas negros frequentarem as áreas sociais de um clube.

Estarmos na Universidade Eduardo

Plena Ditadura, saímos as ruas para protestar, marco simbólico da retomada de protestos populares, e dos movimentos negros unidos em uma Frente, que se espalhou Brasil afora. Tenho orgulho de ter participado, mas não estou feliz. Em 1978 apontávamos uma morte do Robson, logo depois seguida do Nilton por policiais militares. No primeiro número do Cadernos Negros, havia uma poesia profética: “mataram um negro depois outro...” Os jornais mostram as estatísticas do primeiro semestre de 2017, a Polícia Militar em São Paulo matou 459 pessoas. Vivemos numa guerra, do Estado contra a população pobre, preta e periférica.

Parece que não temos memória, cada negro inicia uma nova luta por sua sobrevivência. Ontem foi uma celebração, o coletivo angolano Muximas na Diáspora, e os movimentos negros, e defensores dos direitos civis, tivemos oportunidade de confraternizar com um dos presos políticos angolanos. Pedimos que dessem visibilidade internacional, ao pedido de Liberdade para Rafael Braga, e até hoje perguntamos: “Cadê o Amarildo? ”

Quinzena do Negro

Orgulhoso, mas não feliz, lembrei da pioneira Quinzena do Negro na USP, ocorrida em 22 de maio até 8 de junho de 1977. Organizador Eduardo de Oliveira e Oliveira, Socióloga Beatriz do Nascimento, professor Clóvis Moura, professora Joana Elbein dos Santos. Foi um sucesso e marcou o questionamento do sentido da abolição e as influências nos descendentes dessa integração incompleta. Tínhamos mais contatos, em 1982 ocorreu o 3º. Congresso de Cultura Negra das Américas (IPEAFRO Abdias do Nascimento).

Eduardo

Esse marco histórico na USP que completou 40 anos a Quinzena do Negro na USP, alguém lembrou, comemorou? Alguma homenagem para esses ícones de nossa história, Eduardo de Oliveira Oliveira, Beatriz Nascimento e Clóvis Moura?

Negando sua origem Beatriz

Durante duas semanas especialistas nos diversos campos das ciências sociais discutiram, na Universidade de São Paulo em 1977, os destinos dos descendentes dos africanos trazidos ao Brasil Colônia como escravos. Foi a Quinzena do Negro, iniciada no dia 22 de maio, e que se estendeu até o dia 8 de junho, sob o patrocínio do Departamento de Artes e Ciência s Humanas da Secretaria de Cultura, Ciências e Tecnologia do Estado de São Paulo.

Não pretende ser Eduardo

O organizador, o sociólogo negro Eduardo de Oliveira e Oliveira, dizia sobre a proposta: “ A Quinzena seria um prenúncio daquilo que eu e um grupo de estudiosos estamos pensando: um trabalho mais amplo, de natureza nacional, possivelmente com autoridades internacionais, para o ano que vem, quando se comemora o 90º. Aniversário da Abolição da Escravatura. No encontro a pergunta básica será: que destino devem tomar os descendentes de escravos? ”

Reconhecimento Beatriz

Quando completam-se 40 anos de uma conquista histórica, e com a aprovação da Cotas na USP, uma pergunta simples: Não vale uma comemoração?

Fotos Hugo Zambukaki

Fotogramas do vídeo Ori

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Colonização holandesa versus portuguesa

Ironias da história, heróis ou vilões?

Modelo de colonização Holandês versus Português

Mauricio de Nassau

Ponte Maurício de Nassau - Recife

Em história não existe “se”, existe a realidade objetiva. No imaginário brasileiro há os “se”: “Se o Brasil tivesse sido colonizado pelos holandeses”, ou pelos ingleses...

 Boi voador 2   Boi voador

Versões do “Boi Voador”

Até hoje o Conde Maurício de Nassau é cultuado, e é contado a história do “Boi Voador” na ponte do Recife. Inventou o pedágio, para quem quisesse ver a maravilha da velhacaria.

Figura emblemática e polêmica foi Calabar, Domingos Fernandes Calabar (Porto Calvo, 1609 — 1635) senhor de engenho na capitania de Pernambuco, aliado dos holandeses. Tido como o maior traidor da história brasileira.

Domingos Fernades Calabar Domingos Fernandes Calabar

Na época da Ditadura Militar, Domingo Calabar (adepto dos holandeses) vira-casacas brasileiro, quase foi canonizado como gênio incompreendido da raça, ao invés de traidor. Dono de terras e engenho, aceitou as recompensas (propinas) e mudou de lado.

Calabar elogio da traição   Peça de Ruy Guerra e Chico Buarque

O questionamento da versão oficial de traição, era em (1973) a censura do regime militar, e a massificação das versões dos fatos pela mídia oficial ou oficiosa. Passava a necessidade de serem questionadas as versões comuns

As invasões holandesas foram o projeto de ocupação do Nordeste (centro econômico e cultural do Brasil) pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (W.I.C.) durante o século XVII. Composta por mercadores holandeses, organização privada de comércio externo. Diferente do modelo do comércio português fortemente dependente do Estado.

A colonização holandesa no Brasil, foi combatida pelo sentimento nascente de cidadania brasileira, da “Insurreição Pernambucana”, que se opôs aos holandeses e contra a Coroa Portuguesa que já fizera um acordo com Companhia Holandesa aceitando a perda do Nordeste. Angola também ocupada pela Companhia Holandesa, foi “libertada” por tropas brasileiras (visando o comércio de escravos).

“Se” o Nordeste brasileiro e Angola tivessem permanecido sob o domínio da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (W.I.C.), Domingos Fernandes Calabar seria herói. O modelo de organização de companhias privadas sem o estado, seria o modelo de organização.

Haveria congresso, deputados, eleições? “Se”... talvez exista numa realidade alternativa esse Brasil Holandês.

A Odebrecht seria nosso orgulho de organização privada de atuação internacional.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Moça

 

A alegria está em fazer os outros felizes.

Recebi um recado na página Zulmira Somos Nós:

Oi, sou escritora e fiz um poema que já tá guardado na gaveta a um tempo, você pode dar uma olhada? Se gostar, pode publicar na página? Ia ser ótimo, isso é muito importante pra mim, moça. clip_image001

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Na linha do tempo, de Isabella Amaro, vejo que a poema surgiu na aula.

Como é bom ver a sensibilidade surgir em jovens, que vão à luta e expõem seu trabalho, assumem a função de escrever cheios de atitudes.

No texto o seu dia, história, sociologia, afirmação, luta por igualdade.

No celular mesmo, edito a foto enviada, e publico.

Moça Isabella Amaro

“Moça,

Honra teu black,

Honra tua cor,

Balança seu crespo,

Mostra que tem amor.

Mulher,

Tu tem história,

tu tem ginga e

tem mais

herança de Dandara,

Que foi dada aos seus pais.

Menina,

Tu tens compostura.

Esses cachos que

lhe foram dados,

São sinal de

cultura.

Encrespando desde

a árvore,

Genealógica da vida,

enfatizando suas fases

de moça, mulher e menina”

Isabella Amaro

Isabella Amaro, você me fez feliz. Obrigado

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Documentário “Negro Lá, Negro Cá”

Documentário cearense sobre racismo é selecionado para festival de cinema em Portugal

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Andy Monroy, um dos entrevistados para o documentário. Foto: Divulgação

O documentário “Negro Lá, Negro Cá”, do jovem cineasta Eduardo Cunha, não foi só um Trabalho de Conclusão de Curso: Sergipe, Rio de Janeiro e até Portugal tiveram ou terão a exibição do filme em três festivais importantes do gênero. O trabalho traz reflexões do racismo sofrido por imigrantes africanos residentes em Fortaleza, no Ceará.

Em entrevista concedida para o portal da Rádio Verdes Mares, Eduardo conta que a ideia veio por meio de conversas com um amigo de Cabo Verde, Andy Monroy. “A gente sempre conversou sobre o racismo e outras questões referentes à adaptação dele e de outros estudantes aqui em Fortaleza”, explica.

O filme foi selecionado para três festivais até agora. O primeiro foi para o XV Encontros de Cinema de Viana do Castelo, em Portugal. O filme foi exibido em maio deste ano. Em seguida, foi selecionado para o 5º SERCINE – Festival Sergipe de Audiovisual e será exibido em outubro de 2015. O mais recente foi o Visões Periféricas, que acontece em agosto, no Rio de Janeiro. Além desses festivais, Eduardo pretende receber novas seleções de outros eventos de cinema nos quais inscreveu o documentário.

Confira o teaser de “Negro Lá, Negro Cá”:

Inicialmente, Eduardo, que é recém-formado em Publicidade e Propaganda pela Unifor, quis acompanhar o cotidiano de alguns imigrantes e fotografá-los, mas “por sugestão do meu professor Wilton Martins, que é fotógrafo e sociólogo, resolvi fazer um documentário. Tratar do racismo num produto audiovisual traria mais possibilidades de fazer as pessoas se questionarem sobre o assunto”, enfatiza.

No documentário, são entrevistados os africanos Andy Monroy (Cabo Verde), Alfa Umaro Bari (Guiné-Bissau), Cornelius Ezeokeke (Nigéria) e Manuel Casqueiro (Guiné-Bissau). “A história de vida de cada um é muito rica e isso se reflete na fala deles. O filme busca trazer inquietação em quem assiste e tenho percebido que o ‘Negro Lá, Negro Cá’ tem cumprido esse papel”, revela Eduardo, entusiasmado.

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O diretor Eduardo Cunha. Foto: Thaís Mesquita

Para ele, a repercussão do filme pode fazer com que as pessoas se aproximem do problema que é o racismo e do quanto isso pode ser agressivo. “Gosto de fazer a comparação do filme com uma cadeira, ou um objeto qualquer, em chamas. De longe, podemos nos dar conta de que aquele fogo pode ser prejudicial para nós, fisicamente. Algumas pessoas podem não perceber e precisar chegar mais perto para sentir o calor do fogo e, a partir daí, entender o risco que ele pode representar. Outras pessoas, mesmo estando perto, podem não se dar conta e só perceberem a agressividade do fogo quando se queimarem. Aí elas estarão tendo a experiência mais intensa possível”.

Eduardo Cunha faz parte do 202b, uma equipe cearense dedicada a desenvolver um trabalho que transita em linguagens como vídeo, fotografia, pintura e desenho.

Por: verdinha às 17:34 de 07/08/2015 – Verdes Mares

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Parada Preta Paulista.

 
Quanto dói uma morte? E quando não são uma, duas, três, quatro...
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Semana passada foi a morte do haitiano Fetiere Sterlin, assassinado em Navegantes Santa Catarina com 10 facadas, perto de sua casa junto com sua mulher brasileira. Ontem no dia 31 de outubro foi o jovem angolano Jocéu Wando Capilo estudante intercambista de engenharia que veio realizar seu sonho de se formar e voltar à Angola. Sonhos de jovens querendo se estabelecer no país, sonhos de quem vê a educação como forma de construir um futuro melhor. Sonhos perdidos, despedaçados.
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Como não lembrar dos da jovem Zulmira Cardozo, angolana, que formada queria comemorar, sua graduação e voltar para Angola, e ao encontrar seus amigos num bar do Brás onde a comunidade angolana se estabeleceu foi morta em 2012 com um tiro na testa. Cinco estudantes alvejados uma jovem grávida, e três rapazes. Não só foi a morte de Zulmira, seu namorado veio a falecer meses depois, com o peso de carregar de não ter sido morto em lugar da namorada.
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Africanos e caribenhos não são bem-vindos no Brasil, o que os encanta do maior país negro de mundo, o Brasil com 60% da população de origem afro-brasileira (preta, negra, morena ou seja lá o termo que você prefira) tem um sério problema de desigualdade social, onde esses 60% são excluídos da sociedade e remanejados para as periferias das grandes cidades. O que os atrai como a luz, os prejudica, excluí e os mata...
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O Brasil até os anos 60 era uma grande fazenda, os imigrantes europeus vieram para ocupar os lugares dos escravizados, fugidos de guerras e a fome das grandes migrações que o distúrbio pós guerra causa, vieram por serem uma mão de obra mais barata no capitalismo. Onde você usa uma mão de obra assalariada, e a descarta quando não necessita ou não é mais útil. Sem necessidade de comprar o escravizado, e cuidar dele quando fosse necessário, mais fácil usar a mão de obra excedente e farta na Europa e Ásia. E o que fazer com os descendentes de escravizados?
Uma política de contenção e marginalização nas periferias. Onde as prisões são mais importantes que as escolas. Onde os bandos de capitães do mato, transformaram-se em milícias, e as chacinas são a forma de conter pelo medo a população pobre, negra e periférica.
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Hoje domingo 1º. de novembro, os descendentes de Dandara, Zumbi, Nzinga e Toussaint Louverture uniram-se para protestar pelas mortes e violências contra imigrantes africanos e caribenhos, filhos da Diáspora Africana, brasileiros, haitianos, congolenses, angolanos numa manifestação no Vão Livre do Masp, mesmo lugar onde uma manifestação cobrava quem matou os jovens da Chacina dos 19 na Grande São Paulo. Organizado pelo VOHA Voluntários Amigos dos Haitianos, presentes diversas entidades e movimentos sociais.
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Som de um coração enlutado, batia o tambor de Claudete
Um tambor monocórdico, som de um coração enlutado cobrava o descaso no recebimento e acolhimento desses imigrantes. Uma militante Claudete Alves lembrava que somos um país de imigrantes, onde os donos da terra indígenas e africanos escravizados vivem marginalizados.
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Um usuário das barracas de antiguidades, de dedo em riste e atitude ameaçadora tentou calar o som do tambor e a voz dolorosa de quem lamenta os seus mortos. Mulatas tipo exportação de biquínis, e negros sorridentes fazendo música para ioiô dançar são bem-vindos, cidadãos cobrando seus direitos, são negros não são cidadãos.
Arquétipo guerreiro, em defesa da imagem da mãe, mulher, filha, companheiras cobrou rijo o direito:
“ – Quem é você para silenciar a voz dessa mulher que nos representa?
- Cala a boca racista. ”
Tranquila manifestação, presença constante a presença negra se fará na Paulista nos domingos. Ocupando espaços, onde a visibilidade negra, unida com seus parceiros grita pela inclusão e liberdade. Brasil onde todos têm sangue negro, uns no corpo e mente, outros nas mãos.
 
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Paulista com Itapeva – Parada Preta na Paulista
Unidos num espaço de liberdade no novo espaço dos paulistanos aos domingos, Avenida Paulista com rua Itapeva, uma ocupação como nos tempos da 24 de Maio, ou frente o Mappin um ponto de encontro de arte, cultura e alegria negra da Diáspora Africana em São Paulo: “Parada Preta na Paulista” #paradapretanapaulista
Hugo Ferreira Zambukaki