sexta-feira, 26 de outubro de 2012

“Nos matam por parecer ser” Mano Brown vídeo

Mano Brown em programa de Haddad: “Nos matam por parecer ser”

Mano Brown, líder do grupo Racionais Mc’s e uma das principais vozes da periferia no Brasil, revelou preocupação e angustia sobre o que chamou de “extermínio em curso” nas favelas de São Paulo. Vítimas são negros e pobres – pais de família ou não. Cantor também falou da possibilidade de estarem ‘maquiando estatísticas’

Leci Brandão. Mano Brown e Ice Blue, dos Racionais MC’s. Netinho de Paula. Arismar do Espírito Santo. Leandro Lehart. Helião. Kamau. Fernando Anitelli, d’O Teatro Mágico. Grupo Negredo. Emicida e seu irmão caçula, Evandro Fióti. Ana Cañas. Daniel Ganjaman. André Frateschi & Miranda Kassin. Bruno Morais. Andreia Dias. Rashid. Todos juntos e reunidos num recinto só: samba, rap, pagode, pop, MPB, rock independente. Assista ao vídeo:

A música do novo Brasil encontrou-se na noite desta terça-feira com Fernando Haddad, candidato petista à prefeitura de São Paulo.

Mano Brown demorou a se manifestar, mas foi preciso. Disse que não estava aqui para falar de cultura, mas de extermínio. Usou o termo para qualificar a atitude das polícias sob direção tucana diante das juventudes negras, rappers, funkeiras, periféricas etc. “Quem reagir, morre”, modificou frase do governador Geraldo Alckmin, exemplificando com o assassinato, há poucos dias, de dois companheiros ligados ao núcleo formado pelos grupos Racionais MC’s, Negredo e Rosana Bronk’s. “O pano de fundo é a guerra contra o crime organizado, mas eles (o poder público paulista) estão matando por parecer ser”, afirmou.

artistas haddad mano brown encontro

O rapper Mano Brown e o candidato a prefeito Fernando Haddad – (Fotos: Georgia Branco)

Ice Blue foi igualmente certeiro: “Na grande verdade, os prefeitos e candidatos a prefeitos não sabem o que acontece com os pretos em São Paulo, nãõ têm conhecimento de como os pretos são tratados aqui. O rap, esse movimento que continua sendo discriminado e marginalizado, foi o que mudou a cidade de São Paulo”. Silêncio. “Foi o rap que mudou a cidade de São Paulo, que devolveu o orgulho e a vontade de viver para o jovem negro de São Paulo. São Paulo não oferece nada, nada para o jovem negro. Pelo contrário, só tira.” Silêncio completo.

artistas haddad emicida mano brown

Evandro Fióti, Bruno Morais, Emicida, Daniel Ganjaman, Ana Cañas, Andreia Dias

Leci mirou o acertou no alvo do tema do preconceito: “Eu vou ser obrigada a tocar na questão da raça, porque é uma verdade que existe em São Paulo. Nós sabemos que este estado aqui tem uma marca muito séria em cima da população negra. Quando os negros se juntam, a polícia chega porque pensa que vão fazer alguma coisa errada. É um pré-conceito, né?”.

Por Pedro Alexandre Santos

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/10/mano-brown-haddad-nos-matam-por-parecer-ser.html

“Nos matam por parecer ser” Mano Brown vídeo

Mano Brown em programa de Haddad: “Nos matam por parecer ser”

Mano Brown, líder do grupo Racionais Mc’s e uma das principais vozes da periferia no Brasil, revelou preocupação e angustia sobre o que chamou de “extermínio em curso” nas favelas de São Paulo. Vítimas são negros e pobres – pais de família ou não. Cantor também falou da possibilidade de estarem ‘maquiando estatísticas’

Leci Brandão. Mano Brown e Ice Blue, dos Racionais MC’s. Netinho de Paula. Arismar do Espírito Santo. Leandro Lehart. Helião. Kamau. Fernando Anitelli, d’O Teatro Mágico. Grupo Negredo. Emicida e seu irmão caçula, Evandro Fióti. Ana Cañas. Daniel Ganjaman. André Frateschi & Miranda Kassin. Bruno Morais. Andreia Dias. Rashid. Todos juntos e reunidos num recinto só: samba, rap, pagode, pop, MPB, rock independente. Assista ao vídeo:

A música do novo Brasil encontrou-se na noite desta terça-feira com Fernando Haddad, candidato petista à prefeitura de São Paulo.

Mano Brown demorou a se manifestar, mas foi preciso. Disse que não estava aqui para falar de cultura, mas de extermínio. Usou o termo para qualificar a atitude das polícias sob direção tucana diante das juventudes negras, rappers, funkeiras, periféricas etc. “Quem reagir, morre”, modificou frase do governador Geraldo Alckmin, exemplificando com o assassinato, há poucos dias, de dois companheiros ligados ao núcleo formado pelos grupos Racionais MC’s, Negredo e Rosana Bronk’s. “O pano de fundo é a guerra contra o crime organizado, mas eles (o poder público paulista) estão matando por parecer ser”, afirmou.

artistas haddad mano brown encontro

O rapper Mano Brown e o candidato a prefeito Fernando Haddad – (Fotos: Georgia Branco)

Ice Blue foi igualmente certeiro: “Na grande verdade, os prefeitos e candidatos a prefeitos não sabem o que acontece com os pretos em São Paulo, nãõ têm conhecimento de como os pretos são tratados aqui. O rap, esse movimento que continua sendo discriminado e marginalizado, foi o que mudou a cidade de São Paulo”. Silêncio. “Foi o rap que mudou a cidade de São Paulo, que devolveu o orgulho e a vontade de viver para o jovem negro de São Paulo. São Paulo não oferece nada, nada para o jovem negro. Pelo contrário, só tira.” Silêncio completo.

artistas haddad emicida mano brown

Evandro Fióti, Bruno Morais, Emicida, Daniel Ganjaman, Ana Cañas, Andreia Dias

Leci mirou o acertou no alvo do tema do preconceito: “Eu vou ser obrigada a tocar na questão da raça, porque é uma verdade que existe em São Paulo. Nós sabemos que este estado aqui tem uma marca muito séria em cima da população negra. Quando os negros se juntam, a polícia chega porque pensa que vão fazer alguma coisa errada. É um pré-conceito, né?”.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

REPARE BEM documentário estréia em 4 salas em SP

Documentário de Maria de Medeiros mergulha no período da ditadura militar brasileira

Como um convite à verdade e ao passado submerso de histórias pessoais atravessadas pelo regime ditatorial brasileiro nos anos 1970, o documentário “Repare Bem”, de Maria de Medeiros, chega às telas de cinema dentro da 36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O filme estreia nesta terça (23), no Espaço Itaú de Cinema Frei Caneca, segue para a sala 1 da Livraria Cultura na quarta (24), para a Sala BNDES da Cinemateca no sábado (27) e, por último, para o Cinesesc na segunda (29).

Veja horários e outras informações no serviço.

O filme, de noventa e cinco minutos, foi gravado no Brasil, Itália e Holanda, entre janeiro e outubro de 2011, resgatando a trajetória da família de Denise Crispim, sua filha Eduarda Ditta Crispim Leite e seu ex-companheiro Eduardo Leite, o “Bacuri”, torturado por 109 dias e assassinado pelos militares. Os relatos e personagens da trama desvelam os aspectos mais cruéis desse período da história brasileira, em um documentário que contribui para os crescentes debates sobre o resgate da memória no Brasil e a reparação das famílias brutalizadas pelo Estado.

Realizado pelo Instituto Via BR com recursos da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça do Brasil, o documentário também expõe a atuação dessa Comissão, seus desafios e prioridades no processo de reparação das famílias das vítimas da ditadura.

“Repare Bem” integra o projeto “Marcas da Memória” da Comissão de Anistia, tem parceria da Cinemateca Brasileira e apoios da Fadepe-JF (Fundação de Apoio e Desenvolvimento do Ensino da Pesquisa e Extensão de Juiz de Fora), CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), Fitee (Federação Interestadual dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino), Sindicomerciários Caxias do Sul (Sindicato dos Empregados no Comércio de Caxias do Sul) e Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul e Região.

SINOPSE

Tratou-se de postar as câmaras diante de Denise Crispim e de sua filha, Eduarda Ditta Crispim Leite, e de receber com enorme emoção os seus extraordinários testemunhos. Foi em Roma e em Joure, no norte da Holanda, bem longe do Brasil. No entanto, as suas palavras, que falam de exílio e de memória, levam-nos a um mergulho profundo na história brasileira, dos anos 70 até a atualidade.

Denise Crispim já nasce clandestina em 1949. Seus pais, extremamente politizados, toda a vida lutaram por uma sociedade mais justa e são por isso perseguidos por sucessivas ditaduras. Aos 20 anos, Denise conhece o jovem guerrilheiro Eduardo Leite, “Bacuri”, famoso por sua valentia e audácia, e com ele entra em uma militância mais arriscada. Denise está grávida de seis meses quando cai nas mãos do aparelho repressivo. Seu irmão Joelson acaba de ser assassinado aos 22 anos pela polícia, sua mãe, Encarnación, está presa.

Pouco antes do nascimento da pequena Eduarda num hospital militar, rodeada de policiais, Eduardo Leite, seu pai, é também preso, torturado barbaramente durante 109 dias e assassinado. Com a sua criança recém nascida nos braços, Denise consegue asilo político na embaixada chilena e de lá viaja para Santiago, onde reencontra seus pais, ambos exilados nesse momento. Porém, a família é de novo apanhada por um golpe de Estado militar, o de Augusto Pinochet. Cada um se refugia como pode em diversas embaixadas e Denise e Eduarda acabam por fugir para a Itália.

Denise, sobrepondo-se a muito sofrimento, reconstrói sua vida em Roma onde Eduarda cresce como uma jovem italiana. Hoje, ambas foram anistiadas pela Comissão de Anistia e Reparação no Brasil. Eduarda, mãe de duas meninas e residente na Holanda, recebe o valor simbólico desta “Reparação” como o dom de uma nova vida. O relato de suas histórias convida-nos a uma reflexão sobre os movimentos ideológicos e a luta pela justiça entre a “Velha Europa” e as Américas.

SOBRE MARIA DE MEDEIROS

Cineasta, atriz e cantora, a portuguesa Maria de Meadeiros, é reconhecida no cinema por estrelar clássicos como Pulp Fiction (1994), Henry & June (1990), por dirigir o premiado Capitães de Abril (2000) e outros quatro filmes. Já recebeu o Globo de Ouro nos Estados Unidos e a Coppa Volpi em Veneza, ambos como melhor atriz.

Interessada no tema dos direitos humanos e das resistências populares, teve Capitães de Abril indicado ao festival de Cannes, vencedor do Globo de Ouro (2001) e da Mostra Internacional de São Paulo (2000) como melhor filme. O longa retrata a Revolução dos Cravos em Portugal. Maria de Medeiros foi nomeada Artista da UNESCO para a Paz em 2008, sendo a primeira portuguesa a assumir este papel.

SOBRE INSTITUTO VIA BR

O Instituto Via BR é uma entidade sem fins lucrativos que tem como objetivo criar e desenvolver ações e projetos nas áreas da cultura, educação, cidadania, trabalho, esporte, saúde e meio ambiente. Fundado pelo anseio de alguns jovens interessados em discutir políticas públicas e preocupados com a questão social brasileira, o Via BR tem o Brasil como eixo central de participação e atua em suas mais diversas esferas.

SOBRE A COMISSÃO DE ANISTIA

O Ministério da Justiça criou, em 2001, um órgão responsável pela reparação às vítimas na época de opressão no Brasil. Trata-se da Comissão de Anistia. Ela tem como objetivo analisar os pedidos de indenização formulados pelas pessoas que foram impedidas de exercer atividades dentro do país por motivação exclusivamente política desde setembro de 1946 até outubro de 1988. A comissão tem vínculo direto ao Gabinete do Ministro da Justiça, é composta por 24 conselheiros nomeados (e presidida pelo professor universitário e doutorando na PUC/RJ Paulo Abrão Pires Júnior.

SERVIÇO

Estréia do documentário “Repare Bem” de Maria de Medeiros

2012, 95 minutos (Brasil– França – Itália)

36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

23 de outubro às 21h no Espaço Itaú de Cinema – frei Caneca Sala 1

24 de outubro as 17h40 na Livraria Cultura – Sala 1

27 de outubro as 19h50 na Cinemateca – Sala BNDES

29 de outubro às 14h no CINESESC

Ingressos Individuais

Segundas, terças, quartas e quintas: R$ 15,00 (inteira) / R$ 7,50 (meia)

Sextas, Sábados e Domingos: R$ 19,00 (inteira) / R$ 9,50 (meia)

http://www.une.org.br/2012/10/um-convite-a-verdade-repare-bem-estreia-em-sp-em-quatro-salas/

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Políticas de acolhimento para cotistas

MEC vai elaborar modelo nacional de políticas de acolhimento para cotistas

 

O Ministério da Educação (MEC) pretende encaminhar às 59 instituições federais de ensino superior do país um modelo nacional de políticas de acolhimento para alunos que ingressarem por meio das cotas sociais. De acordo com a regulamentação da Lei de Cotas (Lei nº 12.711), as universidades precisarão pensar em formas de orientar os novos estudantes durante o ensino superior.

O acompanhamento poderá ser feito por meio de comissões, provas de nivelamento, tutorias com alunos bolsistas da pós-graduação, monitorias, nivelamento de disciplinas, e até mesmo aumento de distribuição de bolsas e auxílios sociais.

No modelo nacional constarão orientações de acompanhamento e assistência para os alunos. "Existe um modelo de aplicativo de universidades coreanas, por exemplo, que indica em que áreas os alunos estão defasados e mostra a disciplina que o estudante deve fazer. É algo de grande valia e que podemos implementar aqui", disse o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, em entrevista na tarde desta segunda-feira (15). Ele esclareceu que um dos objetivos do programa de cotas sociais é estimular o crescimento da educação e aprimorar as políticas de assistência estudantil.

A preocupação do ministério é de que os estudantes contemplados pelo processo tenham dificuldade em acompanhar o ritmo de atividades da universidade devido à defasagem nos estudos durante o ensino médio. Confiante com o sucesso da Lei, no entanto, Mercadante afirmou que os alunos vão ter que estudar muito, mas que terão uma oportunidade única de obter excelente desempenho e se sobressaírem. “Vai ser a conquista de famílias que nunca tiveram muitas oportunidades. Motivo de sucesso e de orgulho”, defendeu.

Além disso, segundo a portaria que regulamenta a Lei, o MEC instituirá o Comitê de Acompanhamento e Avaliação das Reservas de Vagas nas Instituições Federais de Educação Superior e de Ensino Técnico de Nível Médio. O comitê será composto por representantes do MEC, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República e da Fundação Nacional do Índio (Funai). Anualmente, o grupo deverá enviar relatório de avaliação de implementação das reservas de vagas da Lei.

Brasília

A Universidade de Brasília (UnB) já definiu a forma de acompanhamento dos alunos que entrarão pelo novo processo de cotas. Eles serão acompanhados por um grupo de monitoramento, supervisionado pelos decanatos de Ensino de Graduação e de Assuntos Comunitários da instituição. O objetivo é evitar que os alunos cotistas oriundos de escolas públicas, em especial aqueles de baixa renda, deixem a universidade. Será preciso, por exemplo, aumentar a oferta de moradia, alimentação subsidiada e bolsas de tutoria.

Publicação: 15/10/2012

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estudante/ensino_ensinosuperior/2012/10/15/ensino_ensinosuperior_interna,328214/mec-vai-elaborar-modelo-nacional-de-politicas-de-acolhimento-para-cotistas.shtml

Coleção História Geral da África em português

 
Coleção em oito volumes disponível para download.
 
 
Coleção História Geral da África em português

Publicada em oito volumes, a coleção História Geral da África está agora também disponível em português. A edição completa da coleção já foi publicada em árabe, inglês e francês; e sua versão condensada está editada em inglês, francês e em várias outras línguas, incluindo hausa, peul e swahili. Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos trinta anos, a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.

Brasília: UNESCO, Secad/MEC, UFSCar, 2010.

Volume I: Metodologia e Pré-História da África (PDF, 8.8 Mb)

  • ISBN: 978-85-7652-123-5

Entrevista com Angela Davis 2009

 

Entre 21 e 23 de novembro de 2012 estará sendo realizado o Fórum Internacional 20 de novembro Recôncavo, Entre os palestrantes, Ângela Davis, integrante do “Panteras Negras” e do Partido Comunista dos Estados Unidos teve um dos mais polêmicos e famosos julgamentos criminais da história americana.

Angela Davis Colagem

 

Essa entrevista é de agosto de  2009 quando Angela esteve na Bahia - Brasil

Angela-Davis-03

8 de agosto de 2009 – entrevista em “A TARDE”

 

“Quando Obama visitar o Brasil, vai aprender algumas lições”

“Aos 65 anos, Angela Davis continua a mostrar por que se tornou um ícone do movimento negro norte-americano nos anos 1970. Bastam minutos de conversa com a hoje pesquisadora e professora da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz (EUA), para perceber a sua facilidade em expor, numa linguagem clara, linhas de raciocínio complexo, fruto do aprofundamento que marca sua produção acadêmica. Um exemplo é quando explica a visão que tem do feminismo, para além do embate de gênero. A jovem ativista de outrora continua também a fascinar a juventude. Este segmento foi o público mais constante nas palestras que ela realizou, na última semana, em Salvador, como convidada da XII Edição da Fábrica de Ideias, programa anual sediado no Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia (Ceao/Ufba ). Coordenada pela doutora em sociologia Ângela Figueiredo e pelo doutor em antropologia Lívio Sansone, a Fábrica oferece treinamento para jovens pesquisadores em estudos étnicos. Angela Davis, inclusive, discorda de quem costuma apontar a juventude do mundo atual como apática, do ponto de vista político. Para ela, cada geração tem sua forma própria de atuação. “A minha postura é a de aprender com os jovens, porque sempre são eles que provocam as mudanças radicais”, afirma. Nesta entrevista concedida à repórter Cleidiana Ramos, com o auxílio da tradutora Raquel Luciana de Souza, Angela Davis falou, dentre outros assuntos, sobre as lições que o governo brasileiro pode oferecer a Barack Obama, em relação a uma política de maior aproximação com a África.

A TARDE – É a segunda vez que a senhora vem à Bahia. O que notou sobre a questão racial e de gênero aqui?
Angela Davis – O termo feminismo é ainda bastante contestado, como também é contestado nos EUA. Mas, eu descobri que há mulheres ativistas que estão fazendo um trabalho bastante semelhante. Então, nesse sentido, não faz diferença como uma pessoa se identifica. Tem mulheres que estão trabalhando nessas questões de violência contra a mulher, assistindo vítimas dessa violência e, ao mesmo tempo, pensando em formas de se erradicar um fenômeno que é uma pandemia por todo o mundo. São questões que eu acredito que perpassam as fronteiras nacionais. Acredito que ativistas nos EUA podem aprender muito com ativistas aqui do Brasil.

AT – Ao que a Sra. atribui a resistência ao termo feminismo?
AD- Há essa resistência ao termo feminismo porque pressupõe-se que se adotem posições vazias. Há posições antimasculinas, anti-homem. Quando feministas brancas formularam pela primeira vez essa noção de direitos das mulheres, elas estavam somente prestando atenção à questão de gênero e não prestavam atenção à questão de raça e de classe. E nesse processo elas racializaram gênero como branco e colocaram uma questão de classe como uma classe burguesa, mas as feministas negras argumentaram que você não pode considerar gênero sem considerar também a questão de raça, a questão de classe e a questão de sexualidade. Então isso significa que as mulheres têm de se comprometer a combater o racismo e lutar tanto em prol de mulheres como de homens.

AT – É uma visão bem diferente daquela que a maioria das pessoas tem sobre feminismo.
AD- O tipo de feminismo que eu abraço não é um feminismo divisivo. É um feminismo que busca a integração. Mas, como disse anteriormente, estou mais preocupada com o trabalho que as pessoas fazem e o resultado que alcançam do que se estas pessoas se denominam feministas ou não. Muito do trabalho histórico tem descoberto tradições e legados feministas de mulheres que nunca se denominaram feministas, mas nós as localizamos dentro de uma tradição feminista. Eu já vi trabalhos que falam sobre Lélia Gonzalez no Brasil denominando-a feminista e eu não sei se ela se considerava feminista. Tem também mulheres contemporâneas como Benedita da Silva. Eu não sei se ela se identifica como feminista.

AT- A senhora pensa em escrever algo sobre as suas impressões em relação à Bahia?
AD- Eu acho que sim. Mas eu teria de voltar aqui e passar um pouco mais de tempo fazendo uma pesquisa substantiva. Estou bastante impressionada com o ativismo das mulheres em Salvador e, em geral, aqui é um lugar maravilhoso.”

A entrevista está dividida em 3 partes.

http://mundoafro.atarde.uol.com.br/?tag=panteras-negras

Colóquio Muniz Sodré - UFRJ

Colóquio Muniz Sodré debate política e cultura afro-brasileira

Muniz falará sobre Política e Cultura Afro-brasileira

25/10/2012 – quinta-feira

muniz sodre

Muniz Sodr é-  70 anos do jornalista, escritor e professor

Já estão agendadas as palestras do Colóquio Muniz Sodré para o último trimestre do ano que homenageia os 70 anos do jornalista, escritor e professor.   Na próxima quinta-feira, 25 de outubro, Muniz falará sobre Política e Cultura Afro-brasileira.  O encontro é aberto a estudantes de graduação, pós-graduação da UFRJ e de outras universidades, além de público em geral. Acontece no auditório da Central de Produção Multimídia (CPM), das 13h às 15 horas. O evento é promovido pelo Laboratório de Estudos em Comunicação Comunitária (LECC) da UFRJ, que tem a coordenação geral da professora Raquel Paiva.

O Colóquio Muniz Sodré faz parte do Ano Muniz Sodré, iniciado em março e abril com uma semana depalestras e minicursos temáticos. Além da homenagem ao autor, os encontros são formas de compartilhar o acesso ao conhecimento de sua obra, envolvendo estudantes da pós-graduação e da graduação, da UFRJ de outras universidades e público em geral.

A programação também reabre o LECCturas, grupo de leitura, que  este ano é dedicado à obra de Muniz Sodré. A ideia é estabelecer diálogos do público discente da comunidade acadêmica com o pensamento do autor, bem como apresentar as principais temáticas do pesquisador consagrado no campo da comunicação e áreas afins. A programação completa será publicada no site do LECC: www.pos.eco.ufrj.br/lecc.

Sobre o Homenageado:

Muniz Sodré de Araújo Cabral, nascido em 12 de janeiro de 1942, no município de São Gonçalo dos Campos (BA), é o que se pode chamar de um genuíno pensador brasileiro. Autor de 36 livros, Sodré reúne em sua carreira extensa produção acadêmica nos campos da cultura e da Comunicação, o que o consagra como professor e pesquisador. Além disso, possui uma biografia política como jornalista-militante e o trabalho público-administrativo, como presidente da Biblioteca Nacional e diretor da TV Educativa. Sua obra contempla o campo da Comunicação, Literatura, Filosofia, Educação, e reflete as mais diversas temáticas em um conhecimento múltiplo, fruto de sua experiência acadêmica, somado ao aprendizado adquirido na vivência com mestres da sabedoria e da cultura popular.

Serviço:

Colóquio Muniz Sodré/Leccturas:

Política e Cultura Afro-brasileira

Data: 25/10/2012 – quinta-feira

Horário: das 13h às 15h.

Local: Auditório da Central de Produção Multimídia (CPM).

Av. Pasteur, 250 – fundos da ECO/UFRJ.

Quem quiser receber certificado pode se inscrever

Inscrições: semanamunizsodre@gmail.com.

Publicado em Domingo, 21 Outubro 2012 11:09