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terça-feira, 2 de julho de 2013

Troca de experiências entre refugiados no Brasil

Encontro promove troca de experiências entre refugiados no Brasil

Encontro
22/06/2013 - 17h19
São Paulo – “Tive uma arma apontada para a minha cabeça, na minha casa. O soldado que decidiu não me matar disse: “Agora se manda, que alguém vai vir terminar o serviço”. Fui para o aeroporto e peguei o primeiro avião, que era para o Brasil”. O relato do artista plástico angolano Bantu Tabasisa narra uma situação ocorrida há 19 anos, quando ele precisou deixar seu país de origem em razão de conflitos políticos e buscar refúgio no Brasil. O Comitê Nacional para Refugiados estima que existam, atualmente, 4.336 refugiados no país, dos quais 1.845 estão em São Paulo.
Hoje (22/6), Dia Mundial do Refugiado, 150 pessoas acolhidas no Brasil participaram de uma atividade de trocas culturais no Serviço Social do Comércio. Apesar da dificuldade com o idioma, colombianos, malineses, congoleses, entre outras nacionalidades, apresentaram brincadeiras características de seus países. Uma jovem congolesa ensinou uma atividade similar ao cabo de guerra, mas que, no Congo, é feita com os próprios participantes.
O grupo que participou das atividades é atendido pela Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, que mantém um centro para acolher refugiados no centro da capital paulista. “São populações que chegam muito fragilizadas do processo de transição, seja pelo conflito no país de origem ou pelo próprio percurso. Quando chegam aqui, a dificuldade inicial é a questão da língua”, explicou Maria Cristina Morelli, coordenadora do centro.
Além da assistência social prestada aos refugiados, o centro orienta e presta serviços na área jurídica e de saúde mental. “Muitas vezes, eles chegam e nem sabem que estão no Brasil. As dificuldades são muitas”, apontou. Morelli destaca que a ação inicial é orientá-los a regularizar a situação de refugiados, o que os possibilita obter os direitos da cidadania brasileira. “Quando iniciam o processo, eles adquirem um visto provisório que os permite trabalhar, por exemplo. Eles tiram Carteira de Trabalho e CPF [Cadastro de Pessoa Física]”, explicou.
Foi o que aconteceu com o colombiano Pedro, 40 anos, que pediu para ter o sobrenome omitido. Os conflitos armados no país dele o tornaram perseguido político. “Vim em busca de trabalho. Trouxe minha filha. Agora estamos bem. Pretendo voltar ao meu país, mas só para passear e visitar minha família. Minha mãe pergunta muito se não vou voltar”, declarou. Ele está no país há cinco anos e trabalha como auxiliar de limpeza.
A Agência das Nações Unidas para Refugiados estima que 45,2 milhões estejam deslocadas em todo o mundo, segundo dados de 2012. No último ano, o número aumentou em cerca de 2,3 milhões, na comparação com 2011. A maioria deles vêm de cinco países: Afeganistão, Somália, Iraque, Síria e Sudão. No Brasil, a Angola lidera em número de refugiados, seguida pela Colômbia e Congo.
Camila Maciel
Repórter da Agência Brasil

Fonte Agência Brasil





terça-feira, 21 de maio de 2013

Audiência Pública Direitos Humanos e Imigrantes

Africanos não conseguem ocupar postos qualificados no Brasil

A visão estereotipada dos países africanos e o preconceito são, segundo ONG, algumas das razões para que as empresas não abram espaço

 

Câmara Muncipal Placa

Audiência realizada em no dia 20 de maio de 2013

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Christophe Simon/AFP

Migrantes africanos: o secretário nacional de Justiça disse que o problema deverá ser enfrentado na mudança da lei que regulamenta os direitos dos estrangeiros

São Paulo – Imigrantes africanos se queixam que, mesmo qualificados, têm dificuldade para conseguir bons empregos no Brasil. “Essa busca por mão de obra qualificada é pensada muitas vezes em relação ao europeu, principalmente ao branco. Não imaginam que o africano tem essa qualificação, que o haitiano tem essa qualificação”, ressalta a diretora do Instituto da Diáspora Africana no Brasil (IDAB), Carmen Victor da Silva. A organização não governamental busca dar apoio a imigrantes que chegam ao país.

A visão estereotipada dos países africanos e o preconceito são, segundo Carmen, algumas das razões para que as empresas não abram espaço em postos qualificados para africanos.

“Eu percebo que existe uma distinção. Quando se fala de imigrantes de outras localidades, latinos ou africanos, se fala sempre como mão de obra braçal, não intelectual”, enfatizou, em entrevista à Agência Brasil, antes de participar de audiência pública na Câmara Municipal de São Paulo.

O secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, admitiu que o problema é presente e deverá ser enfrentado na mudança da lei que regulamenta os direitos dos estrangeiros.

“É preciso reconhecer que o preconceito faz parte das relações humanas e é por isso que todo o debate dessa questão migratória tem que ser calcado no afastamento e enfrentamento da xenofobia”, disse. “Será constituído agora um comitê de especialistas para dar a formatação jurídica de um anteprojeto que poderá ser encaminhado ao Congresso”, acrescentou.

A visão estereotipada dos países africanos e o preconceito são, segundo ONG, algumas das razões para que as empresas não abram espaço

Procedente da Guiné-Bissau, formada em teologia e pedagogia, Madalena Nanque conseguiu emprego apenas em uma loja que vende chinelos. Mas, após problemas com a burocracia para o pedido de residência permanente, perdeu até esse trabalho.

“Quero fazer concurso, não consigo. Quero fazer pós-graduação, minhas amigas já acabaram, eu não consigo, porque não tenho documento”, reclama a africana, de 36 anos.

“Eu acho que deve haver uma base aqui em São Paulo para ajudar gente como eu, que não tem pai para dar nada, que tem que trabalhar”, diz, ao se queixar dos gastos dos deslocamentos a Brasília para resolver a sua situação legal.

Marseu Carvalho

foto hugo ferreira

Marseu Carvalho numa reunião da Mobilização na Câmara Municipal

O estudante angolano Marseu de Carvalho também reclama da falta de atenção do governo aos imigrantes com poucos recursos. “Nós sabemos que não há políticas públicas que recaem sobre os estudantes imigrantes. E se há políticas públicas, elas não chegam à minha camada, daqueles que não têm nenhuma representatividade governamental ao sair de seus países por conta própria”, destacou durante o encontro.

Além da falta de apoio institucional, o estudante universitário Ademar Carvalho diz sofrer com o racismo no Brasil. “O meu governo falava que os brasileiros e portugueses são nossos irmãos porque falam a mesma língua. Hoje, já não penso mais assim”, desabafou o jovem que se diz enganado por uma faculdade do interior paulista. Um representante da instituição, segundo Carvalho, foi a Angola oferecer uma série de vantagens que não se cumpriram na prática. Atualmente, o estudante move uma ação, com a ajuda da Defensoria Pública da União (DPU), contra a faculdade.

A parceria entre o Ministério da Justiça e a defensoria é uma das ações do governo, de acordo com Paulo Abrão, para solucionar os problemas que afligem os imigrantes. “Para que ela [a DPU] passe a atuar na defesa jurídica de todo e qualquer estrangeiro dentro do território nacional”. Abrão acrescentou que também foi firmada uma parceria com a Organização Internacional de Migrações. “A primeira etapa é a realização de diálogos públicos com representações e lideranças dos imigrantes”, destacou.

Daniel Mello, da Agência Brasil

Fonte Agencia Brasil

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Discussão sobre imigração no Brasil

A situação de haitianos nos Estados da Região Norte do Brasil é muito parecida com a dos angolanos no bairro do Brás, em São Paulo, ou com a dos bolivianos, nas oficinas de costura no Bom Retiro no que se refere às condições de pobreza que apresentam, de descaso das autoridades nos esclarecimentos das violências que eles sofrem, das transgressões aos direitos trabalhistas de todos.
Audiência sobre imigração discute mudanças na legislação migratória
08/05/2013
Representantes de entidades apontam para o risco de uma imigração seletiva
Da Redação: Joel Melo Fotos:José Teixeira
CLIQUE AQUI PARA FAZER DOWNLOAD DA FOTO ACIMA
Davi, Ruth Camacho, Cleiton Borges, Adriano Diogo, Nelo Pulcinelli e Maria Cristina Morelli
A situação de haitianos nos Estados da Região Norte do Brasil é muito parecida com a dos angolanos no bairro do Brás, em São Paulo, ou com a dos bolivianos, nas oficinas de costura no Bom Retiro no que se refere às condições de pobreza que apresentam, de descaso das autoridades nos esclarecimentos das violências que eles sofrem, das transgressões aos direitos trabalhistas de todos. Essa é a conclusão a que chegaram os representantes das entidades que se reuniram nesta terça-feira, 7/5, para discutir uma política migratória para o Brasil que acolha melhor a quem chegue, e que amplie os direitos dos que já moram aqui.
Com uma mesa presidida pelo deputado Adriano Diogo (PT) e composta por especialistas no assunto, tomou a palavra, em primeiro lugar, Cleyton Borges, do Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante " CDHIC, que comentou o aumento do número de imigrantes (960 mil em dezembro de 2009 para 1,46 milhão em julho deste ano) e dos diferentes caminhos que os países têm seguido ao tratar da imigração. Cleyton apontou duas diferenças básicas entre a política de imigração brasileira, que aponta o que o imigrante não pode fazer, com a política propositiva argentina, por exemplo, que prefere indicar o que o imigrante pode fazer. Cleyton questionou que modelo queremos, e disse que uma legislação baseada nos direitos humanos deve enfrentar o racismo e a xenofobia: "Se a lei não é clara nesse sentido, abre caminho para a discriminação", disse o especialista que, em seguida, apresentou um vídeo sobre a morte de Zulmira de Sousa, a estudante angolana que foi vítima de xenofobia em São Paulo.


Também frei David Santos, da Educafro, abordou a morte de Zulmira como um símbolo de ódio de setores brasileiros contra imigrantes africanos. E disse que o governo não está se empenhando o suficiente para encontrar o responsável pelo crime, pois, segundo o frei, "prenderam um bode expiatório e o verdadeiro assassino está solto". Frei David Santos apresentou um gráfico sobre o que é considerado genocídio e disse que "a realidade negra brasileira é sem dúvida nenhuma genocídio".
Compuseram a mesa, além dos já citados, Nelo Pulcinelli, do Centro de Apoio ao Migrante (CAMI), Ruth Camacho, do Centro de Pastoral do Migrante e Maria Cristina Morelli, da Caritas também colocaram sua visão sobre o assunto. A audiência serviu como preparatória da conferência nacional sobre o tema.
Entidades que atuam no atendimento e apoio aos imigrantes e nos processos de formulação de políticas públicas orientadas às migrações transnacionais no Brasil recomendam cuidado com alguns aspectos xenofóbicos ao veicular uma notícia. Para contribuir com o trabalho realizado por comunicadores e jornalistas, foi preparado um guia preparado por especialistas sobre o assunto que pode ser acessado no linkwww.guiamigracoesdivcult.com
Fonte: Manifesto pela humanização da cobertura mediática sobre migrações no Brasil


Adriano Diogo preside os trabalhos da comissão que debate mudanças na legislação migratória

Política migratória para o Brasil em debate

Público presente

fonte ALESP