domingo, 14 de julho de 2013

Dois Irmãos – RS- lição contra o preconceito

Eleição de Tânia Terezinha da Silva quebra preconceitos
Dois Irmãos será único município do RS a ser comandando por mulher negra

Tânia Terezinha da Silva comandará Dois Irmãos. Clique e veja mais fotos Crédito: Vinicius Roratto

Tânia Terezinha da Silva comandará Dois Irmãos. Clique e veja mais fotos
Crédito: Vinicius Roratto

O município de Dois Irmãos, no Vale do Sinos, 53 anos depois da sua emancipação, entra para a história política do Rio Grande do Sul ao eleger pela primeira vez uma prefeita. A administração da cidade ficará com a técnica de enfermagem Tânia Terezinha da Silva, 49 anos, no mínimo, pelos próximos quatro anos (2013 a 2016). Filiada ao PMDB desde 1995, ela recebeu 9.450 votos dos eleitores no dia 7 de outubro.

O que chama atenção na eleição desta mulher negra e com dreadlocks — forma de se manter os cabelos que se tornou mundialmente famosa com o movimento rastafári —, é que Tânia está em um município onde predominam descendentes de alemães. A escolha coloca a futura prefeita ao lado de políticos negros como Alceu Collares — prefeito de Porto Alegre de 1986 a 1989, governador de 1991 a 1995 e deputado federal por cinco mandatos —, e do ex-deputado estadual Carlos Santos (falecido em 1989), que assumiu por duas vezes interinamente o governo gaúcho em 1967.
Tânia teve uma grande conquista porque, das 35 mulheres eleitas no Rio Grande do Sul, é a única negra, de acordo com levantamento da Federação das Associações de Municípios do RS (Famurs). O Estado tem 497 municípios. Com forte militância na área da saúde e da assistência social, ela conquistou a confiança da comunidade de Dois Irmãos, principalmente na zona rural do município, onde trabalhou nos postos dos bairros São João e Travessão e na emergência que funciona 24 horas.
Além disso, foi eleita três vezes vereadora do município. Em 2008, entrou para a história de Dois Irmãos como a mais votada da cidade, com 2.055 votos. A marca até hoje não foi superada por nenhum candidato. Em 2010, uma nova alegria: foi a primeira mulher a presidir a Câmara Municipal. “Tanto no Legislativo quanto nas unidades de saúde, minha proposta sempre foi resolver o problema das pessoas. Atendia todos e buscava uma solução para o pedido de cada morador da cidade”, comenta.
Para Tânia, é fundamental dar importância ao que as pessoas estão falando e, segundo ela, esse foi o diferencial em 2012. Ela acredita que três paradigmas foram quebrados: o fato de ser a primeira mulher a concorrer à prefeitura, ser negra e divorciada. “A população queria algo novo, forte e diferente. A competência e o trabalho em favor da população de Dois Irmãos transcendeu a cor da pele.”
Tânia recorda que começou a sentir que a vitória estava próxima quando faltavam 15 dias para o pleito. “Os moradores começaram a ligar para o comitê atrás de adesivos e placas para colocar nas suas casas”, lembra.
Na quinta-feira, Tânia reassumiu suas funções no posto de saúde do bairro Travessão. Ela tem dividido seu tempo com os filhos que moram com ela em Dois Irmãos. Pablo e Hohana cursam Biomedicina e Enfermagem, respectivamente, na Feevale. Além disso, trata com o vice-prefeito Jerri Adriani Meneghetti (PP) e assessores detalhes para a posse no dia 1° de janeiro de 2013.
Popularidade de Tânia impressiona
Natural de Novo Hamburgo, Tânia Terezinha da Silva desfruta de uma popularidade impressionante em Dois Irmãos, onde reside desde 1994. Durante um passeio pela Praça do Imigrante, um dos seus locais preferidos no município, onde residem 27 mil habitantes, a futura prefeita agradeceu aos moradores pela votação. “O cabelo é um sucesso, principalmente entre as crianças, que adoram tocar”, conta.
Tanto entre os empresários quanto entre sindicalistas e a população, a expectativa é que a prefeita tenha um olhar igual para todos. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Dois Irmãos, Ademir Berlis, ressalta que Tânia já provou que sabe trabalhar e dar atenção à população, como já ocorreu na área da saúde. “Tomara que ela leve esse conceito para a administração pública, porque estamos cansados de gestores seguros demais”, observa.
Segundo ele, a futura prefeita é uma pessoa humilde e de olhar diferenciado. Segundo Berlis, o povo de origem alemã é duro e conservador, muitas vezes, mas é hospitaleiro. “Teremos o governo de uma mulher competente, que alia seriedade e trabalho”, destaca Berlis.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Dois Irmãos e Morro Reuter, Pedro Joãozinho Becker, diz que a entidade sempre defendeu uma maior participação da mulher na administração pública. “Demorou mais de cinco décadas para chegarmos a esse momento de uma mulher no comando da cidade. Estamos torcendo para a gestão dela ser um sucesso”, confidencia.
Passeando na Praça do Imigrante, o aposentado Irineu Eich acredita que Tânia Terezinha terá uma atenção especial e mais humana “com pretos, brancos, pobres e ricos”.
Nos dias de folga, a prefeita eleita gosta de se encontrar com amigos para a tradicional roda de chimarrão e um bate-papo. Igualmente não despreza uma boa música. É fã de Gilberto Gil, Alcione, Maria Bethânia e Gal Costa.
‘Respeita e sabe ouvir’

Na Praça do Imigrante, em Dois Irmãos, um aposentado com um forte sotaque alemão observava com atenção os cumprimentos dos eleitores à futura prefeita e fez o seguinte comentário: “O povo alemão é duro, exigente, mas sabe reconhecer uma Schwarze Frau (mulher negra) que respeita as pessoas e sabe ouvir, o que é o caso da prefeita Tânia Terezinha”.
Fonte: Cláudio Isaías / Correio do Povo

http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=472500

sábado, 13 de julho de 2013

A primeira reitora negra do Brasil

 

Ela é negra do Brasil

Nilma Lino Gomes assume a Unilab como a primeira reitora negra do País. Entre tantos desafios, está ampliar as relações internacionais com os países de língua de expressão portuguesa

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FOTO SARA MAIA

A professora mineira Nilma Lino Gomes tomou um susto quando foi convidada para ser reitora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) no início deste ano. A proposta veio do colega Paulo Speller, reitor-fundador da primeira universidade internacionalizada do Brasil, fincada no Maciço de Baturité, em Redenção, a 40 quilômetros de Fortaleza. Passada a surpresa, veio a percepção do contexto. Seria a primeira mulher negra no comando de uma universidade brasileira.

“Senti-me honrada e, depois do choque, compreendi que o convite tinha a ver com minha trajetória”, afirmou a reitora Nilma Lino ao O POVO em meados de abril, 20 dias após desembarcar em Redenção. Com um sorriso largo e palavras sob medida, à moda de Minas, a doutora em Antropologia pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutora em Sociologia pela Universidade de Coimbra aborda as questões em torno do racismo no Brasil, tema que elegeu tanto na academia como pesquisadora, quanto como cidadã. “Pedagogicamente, atuo assim; politicamente, atuo assim. Quando o convite chegou, entendi que tinha a ver com meu perfil. Sou uma mulher negra que atua nas questões raciais”, analisa a reitora sobre o porquê de ter decidido deixar Minas Gerais para morar numa cidade que só conhecia de ouvir falar, e ser reitora de uma universidade que havia de concluir a implantação.

Ao longo de quase duas horas, Nilma Lino conversa sobre o trabalho intenso de conhecer o lugar, a universidade e as pessoas, fala sobre as políticas afirmativas em curso no Brasil e diz que o resultado dessa política pelo menos jogou por terra o discurso mítico em torno da democracia racial no País. A seguir, os principais pontos da entrevista. (colaborou Aflaudisio Dantas)

O POVO - A senhora já conhecia Redenção antes de vir como reitora para a Unilab?

Nilma Lino - Não. Eu sabia da universidade e sabia de Redenção pelo meu colega que foi o primeiro reitor Paulo Speller. Fomos colegas no Conselho Nacional de Educação. Quando cheguei ao Conselho, Paulo estava terminando a gestão dele na Câmara de Educação Superior e sempre falava da universidade e de Redenção. Mas não tinha vindo aqui.

OP - Para a senhora, qual o maior desafio para o processo de consolidação da Unilab?

Nilma - Não sei se teria o maior. Acho que o primeiro desafio é dar continuidade ao trabalho de instalação, de início da universidade, tão nova. Acho que meu grande desafio é dar continuidade e consolidar esse trabalho já iniciado pela gestão do professor Paulo Speller. Outro desafio é nesse processo é ir ampliando e aprofundando cada vez mais esse caráter internacional dessa universidade com os países de língua de expressão portuguesa, em especial os africanos, e com possibilidade de expansão. Nas mais diversas áreas da universidade: pesquisa, ensino, extensão e na própria relação dos professores com a pesquisa. Essa universidade nasce diferente de outras, já nasce com esse caráter de uma determinada forma de internacionalização, que está dentro dessa ideia da Cooperação Sul-Sul, a Cooperação Solidária Sul-Sul e isso é muito novo no Brasil.

OP - Qual o estágio de implantação dos campi da Unilab fora de Redenção?

Nilma - Em São Francisco do Conde, temos um prédio que foi cedido pela Prefeitura do município, já quase que em condições de começar a funcionar. Já temos lá funcionando a Educação a Distância na forma de especialização. Nosso grande desafio agora é implementar cursos presenciais, construir o corpo administrativo e o corpo docente dentro desse campus. Aqui, em Palmares (Acarape), está em processo de construção.

OP - Quando a senhora olha para sua universidade hoje, como analisa o trabalho em torno dessa integração de países, tão diversos, e cuja matriz está assentada na língua portuguesa?

Nilma - Eu me reporto ao dia da posse do vice-reitor, quando estive pela primeira vez em Redenção e na Unilab. Estávamos no anfiteatro, então olhei e vi o público da universidade. Ali estavam professores, pessoas da comunidade, estudantes, técnicos administrativos e a sensação é de encantamento de ver uma diversidade tão grande no mesmo espaço, imbuída de um projeto muito inovador. Quando penso essa diversidade – que é étnica, racial e cultural – estar presente na Unilab me encanta, me desafia. Acho que aqui, temos possibilidades de construirmos relações que podem ser profícuas entre os diferentes e as diferenças. Ao mesmo tempo, com pontos muito comuns. E compreender a complexidade que é a língua de expressão portuguesa, porque ela está localizada historicamente em contextos muito diferentes. E aí, temos algo que nos aproxima que é comum, mas ao mesmo tempo temos particularidades muito intensas.

OP - Como a senhora recebeu o convite para ser reitora da Unilab? O que a levou a aceitá-lo?

Nilma - Fiquei surpresa e honrada. Depois do choque, né? (risos). Compreendi também que isso tem a ver com minha trajetória. Sou professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Junto com uma equipe de colegas, construí um programa de ensino, pesquisa e extensão chamado Ações Afirmativas da UFMG. Conseguimos ampliar mais a pesquisa sobre temática racial e estávamos ampliando para as temáticas africanas. Sou uma militante em prol da superação do racismo. Pedagógica e politicamente, atuo assim. Sou uma mulher negra que atua nas questões raciais.

OP - O que a Unilab representa no contexto da questão racial e da afrodescendência no Brasil hoje?

Nilma - Sabemos que, muitas vezes, as práticas de racismo que acontecem na sociedade brasileira têm a ver com uma representação muito negativa do continente africano. E uma total ignorância sobre o continente africano. Da sua história, riqueza, luta dos seus povos, orientações políticas mais recentes, e escolhas dos seus governantes. Nós temos hoje um desconhecimento e precisamos conhecer mais, porque é uma forma de superar preconceitos. Eu ignoro sobre, aí preconcebo uma ideia e passo a generalizá-la para todo mundo. O papel da universidade nesse caso, a própria existência dela, a produção do conhecimento que pode ser desenvolvida aqui na universidade é um outro fator importante. Penso nas relações que ela vai construir com a comunidade local, com o próprio Brasil, com o Ceará.

OP - Já é possível mensurar os efeitos das políticas afirmativas sobre as populações negras no Brasil?

Nilma - Elas são muito recentes. Não sei se dá para mensurar, mas acho que dá para fazer algumas reflexões sobre esse processo. Você tem hoje uma discussão muito intensa. Estamos completando dez anos desde que a alteração da Lei de Diretrizes e Bases foi sancionada pela Lei 10.639 de 2003, que é o ensino de história e cultura africana, nas escolas de educação básica. É claro que é uma implementação irregular se formos pensar assim, porque o ideal seria que, depois de dez anos, pudéssemos falar assim: “A educação básica avançou de norte a sul nas escolas públicas e privadas em relação a essa temática”. Não podemos dizer que avançamos na totalidade. Por isso, digo que é uma implementação que ainda acontece de forma irregular em algumas redes de ensino e regiões do Brasil. Uma coisa é certa: desencadeou uma discussão, produção de pesquisa, de material didático e literário. Trouxe questionamentos para formação de professores. Na educação superior, temos uma lei de cotas que hoje vale para as instituições federais de ensino.

OP - A senhora considera que a negação das questões raciais pela sociedade brasileira impediu que as decisões afirmativas fossem tomadas há mais tempo?

Nilma - Tem sim um processo de negação do racismo na nossa sociedade. Vivemos o que toda literatura que trabalha com o tema aponta: um discurso de que todos nós somos muito democráticos. De que temos a democracia racial no Brasil. E essa representação mítica traz uma negação das reais condições da população negra na sociedade brasileira. Na discussão da temática racial, a sociedade brasileira sempre foi acompanhada de demandas históricas do movimento negro. Esse movimento reeduca a si mesmo e reeduca a sociedade no debate da questão étnico-racial. Acho que aí você vai tendo outros legados da luta antirracista. Você vai ver que existem outros movimentos sociais como o movimento de mulheres, movimentos LGBT, movimentos sociais do campo e que começam a introduzir a pauta da luta antirracista. Por isso, falo do papel de reeducar a si mesmo e a sociedade.

OP - Quando a senhora se descobriu negra?

Nilma - Acho que eu sempre soube (risos). Por que sou de uma família do interior de Minas Gerais. Uma família negra que sempre se viu negra. Fui educada para ter orgulho de quem eu sou. Meu pai era um líder comunitário. Já falecido. Tenho muita lembrança do meu pai lutando por melhoria do bairro, por água, ônibus. Um homem negro muito digno. Meu pai tinha uma indignação com qualquer forma de injustiça. Minha mãe, viva até hoje, foi bordadeira, uma mulher muito sábia. Eu venho de uma família em que nós sempre nos víamos negros, convivemos com parte da família que é negra. Sempre fui criada como mulher negra, uma menina negra. O que eu descobri fora desse aconchego familiar foi o racismo! Foi traumático, porque foi na escola, na primeira série. Até já escrevi sobre isso. Tenho um livro sobre a questão de corpo e cabelo como símbolos da identidade negra, que foi minha tese de doutorado. Foi justamente com o contato com a minha estética. Uma colega me xingou de “cabelo de bombril”. Foi o primeiro xingamento racista que ouvi. É racista, mesmo que seja na boca de uma criança, por que ela aprendeu isso em sociedade, a ver o outro dessa forma. Ela reproduziu isso. Lembro que foi o primeiro choque que tive, porque nunca tinha ouvido nenhuma referência negativa ao meu cabelo! Cheguei em casa e levei isso pra minha família, que reage, vai à escola. Comecei a perceber que meus outros colegas negros recebiam xingamentos, esses e outros. Fui compreendendo que a vida não é só a minha família (risos). Fui entendendo que eu tinha que aprender a me defender também. Isso é muito duro. Sobretudo na infância, porque é onde aprendizados começam a acontecer. Quando adultos, aprendemos a nos defender, uns mais, outros menos. Mas a criança está em processo de formação. Daí, penso sempre na importância da escola.

OP - Suas experiências de vida influenciaram de forma definitiva suas preocupações acadêmicas. Como isso se deu?

Nilma - Pela minha vivência mesmo. Minha família negra. Depois, por experiências que comecei a viver como professora da educação básica. Sempre fui professora. Só sei ser professora (risos). Logo que me formei, comecei a trabalhar. Fiz concurso para a rede pública. Desde então, sou professora da rede pública. Tive um pequeno período em que trabalhei no público e no privado. E comecei nesse momento a perceber diferenciações. Não só em relação a mim no tratamento. Era uma escola privada de médio porte. Tive que reeducar os alunos a ter uma professora negra atuando nessas turmas de ensino fundamental. E também atuava numa escola pública onde uma grande maioria dos meus alunos eram negros. Eu era diferente num espaço e era igual em outro. Isso tudo mexeu muito comigo. Conversando com um professor da pós-graduação, eu colocava essas questões para ele, colocava também para uma colega. E as pessoas falavam que esse era um tema que precisava de mais investigação. Era no final dos anos 80, começo dos anos 90, nós não tínhamos a produção que temos hoje sobre relações raciais na educação e em outras áreas. Então, me senti instigada. Era um momento que tínhamos poucos pesquisadores negros que falavam sobre as questões raciais. Como educadora e como mulher negra, falei: “Acho que tenho que uma responsabilidade acadêmica e política”. E comecei a pesquisar sobre professoras negras. Foi meu primeiro trabalho. Fiz um trabalho com a trajetória de mulheres negras professoras e a relação delas com o debate racial e com as crianças, como isso acontecia. Não parei mais.

OP - Como lidar com o racismo entre a população negra?

Nilma - Sempre que me perguntam isso, chamo atenção para uma questão: o racismo é um fenômeno que prejudica todos nós: negros, brancos, indígenas. E para compreender como uma pessoa que é negra pode desenvolver um preconceito contra si mesmo e contra o seu grupo, é o maior exemplo da perversidade do racismo. Como esse fenômeno consegue ser tão estrutural na nossa sociedade e, ao ser estrutural, ele se torna estruturante das nossas relações. E isso impregna na nossa própria subjetividade, que é possível que, quando se está num lugar com referências muito negativas em relação ao seu próprio grupo étnico-racial, é possível que essa pessoa também desenvolva esse mesmo sentido. Por isso que as políticas afirmativas e a afirmação das identidades são importantes. Porque você pode construir um outro ambiente social, outras representações positivas que vão disputar com as representações negativas que estão em curso. Subjetividades inconformistas e rebeldes são aquelas que se indignam com as injustiças, com preconceitos. Acho que vale para a população negra e para a população branca. Mais do que prestar atenção no fato de uma pessoa negra que discrimina uma outra pessoa negra, é entender qual o fenômeno perverso na nossa estrutura que educa as pessoas desse jeito. E mais: se elas são educadas assim, podem ser reeducadas de outra forma, e a ver seu próprio grupo étnico-racial de uma outra forma.

Fonte Jornal O Povo

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Empregada escravizada nos Estados Unidos

 

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Princesa saudita presa por acusação de tráfico humano.

Meshael Alayban, de 42 anos, uma das seis esposas de um neto do rei Abdallah, da Arábia Saudita, é acusada de ter feito trabalhar uma mãe de família queniana dezesseis horas por dia, sete dias por semana, em troca de um salário mensal de 220 dólares (quase R$ 500,00), no seu palácio saudita e numa residência em Irvine, no condado de Orange, no sudeste de Los Angeles.

Alayban foi detida em Irvine na quarta-feira. Teve de entregar o seu passaporte às autoridades dos EUA e poderá sair da prisão se pagar uma fiança de cinco milhões de dólares e usar em permanência um sistema de geolocalização, não podendo sair do condado sem autorização, informou o procurador de Orange.

A princesa foi acusada de “escravatura de uma mulher queniana nos EUA, forçada a trabalhar como escrava doméstica contra a sua vontade”, especifica-se no comunicado.

A empregada, a quem tinha sido prometido um salário de 1.600 dólares por mês por cinco dias de trabalho semanal, começou a trabalhar em Março no palácio da princesa, “foi acusada de ter retido o passaporte da vítima e de ter impedido de regressar ao Quénia”, segundo o gabinete do procurador.

Em maio, Alayban e a sua família vieram para os EUA com a queixosa, a quem a acusada tinha pedido que mentisse sobre as condições de trabalho durante uma entrevista na embaixada norte-americana para a obtenção do visto.

À sua chegada à Califórnia, a queixosa pode recuperar o seu passaporte para passar o controle da imigração, mas a princesa reteve.

Em Irvine, foi “obrigada a trabalhar para pelo menos oito pessoas nos quatro apartamentos da residência”.

A empregada, cuja identidade não foi revelada, conseguiu escapar na terça-feira e foi recolhida por um motorista de ônibus. Ela tinha consigo um folheto sobre a luta contra a escravatura e os direitos das vítimas, que lhe tinha sido entregue na embaixada norte-americana.

“É uma mulher inteligente. Viu (nos EUA) uma ocasião de recuperar a sua liberdade e soube-a aproveitar”, afirmou o seu advogado, Steve Baric.

Meshael-Alayban

Durante a detenção de Alayban, as autoridades descobriram no apartamento quatro filipinas que também poderiam ser vítimas de escravatura. No caso foi aberto um inquérito. Em caso de condenação, a princesa arrisca uma pena de prisão de até 12 anos.

Fontes Internacional Business Times

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Mandela está bem diz Graça Machel

Mandela está bem embora sinta dores, diz mulher do ex-presidente

04/07/2013 - 10h17
A mulher do antigo Presidente sul-africano Nelson Mandela disse, esta quinta-feira, que Madiba está bem, embora "às vezes sinta dores", e agradeceu o apoio e as mensagens recebidas de todo mundo a propósito do estado crítico do marido..
Graça Machel chegando Hospital
Graça Machel à chegada ao hospital onde Mandela está internado – Foto APP
Graça Machel, mulher do ex-presidente da África do Sul e Prêmio Nobel da Paz de 1993, Nelson Mandela, de 94 anos, disse hoje (4) que seu marido “está bem, embora às vezes sinta dores”. Mandela está internado em um hospital de Pretória devido a uma infecção pulmonar. Nos últimos dias, a informação era que Mandela estava em estado crítico e estável.
“Madiba [apelido de Mandela que significa O Conciliador] às vezes sente-se desconfortável, com dor, mas está bem”, disse Graça Machel que, durante cerimônia pública em homenagem a Mandela, destacou “o amor eterno de Madiba pelas crianças”.
“As demonstrações de amor, de caridade, de apoio e de esperança são lembradas nos nossos corações todos os dias”,  acrescentou. Mandela foi o primeiro presidente negro da África do Sul e passou 27 anos na prisão por lutar contra o apartheid (regime de segregação racial no país).
"Obrigado, obrigado, obrigado", agradeceu Graça Machel na apresentação da mais recente série de eventos em memória de Mandela, numa altura em que o seu marido está internado em estado crítico no hospital de Pretória.
A também viúva do antigo Presidente moçambicano Samora Machel destacou "o amor eterno de Madiba pelas crianças" e sugeriu aos sul-africanos que, além de honrar Mandela com presentes deixados à frente do hospital ou na sua casa, devem fazer doações a projetos de caridade patrocinados pelo prêmio Nobel sul-africano.
"As demonstrações de amor, de caridade, de apoio e de esperança são tomadas nos nossos corações todos os dias", acrescentou.
Nelson Mandela foi internado a 8 de junho num hospital de Pretória depois de ter contraído uma infeção pulmonar, tendo o seu estado de saúde piorado no dia 23 de junho.
Fontes:
Jornal de Noticias – Portugal
Agência pública de notícias de Portugal, Lusa
Agência Brasil: Graça Adjuto
Renata Giraldi









quarta-feira, 3 de julho de 2013

Imigrantes do Mercosul

Acordo do Mercosul sobre imigrantes precisa de fiscalização, diz ministra



Brasília – O Acordo sobre Residência para Nacionais dos Estados-Partes do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai, Venezuela e Paraguai, suspenso temporariamente do bloco, mais Bolívia e Chile, como associados) é de 2009 e fixa uma série de medidas de proteção para os imigrantes legais no Brasil. A ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, defende a implementação e a fiscalização de todos os aspectos contidos no texto, que menciona igualdade de direitos civis e de reunião familiar, assim como os benefícios previdenciários.

Oficinas Bolivianas

“Avançamos tanto na fiscalização do trabalho escravo no Brasil e agora temos de continuar os nossos esforços, só que por novos caminhos”, disse a ministra em entrevista à Agência Brasil.
Dados de autoridades brasileiras referentes a 2010 indicam que, só no Brasil, os bolivianos são cerca de 250 mil, sendo que 200 mil moram em São Paulo e aproximadamente 30 mil são explorados por compatriotas. Há, ainda, os que vivem em Santa Catarina, Mato Grosso e no Rio de Janeiro. Mas a preocupação das autoridades se concentra nos que são vítimas de trabalho análogo à escravidão.
A família de Brayan Yanarico Capcha, de 5 anos, retrata a situação da maioria dos bolivianos que buscam oportunidades no Brasil e que trabalham até 17 horas em fábricas de confecção em São Paulo, segundo relatos. Muitos são atraídos por bolivianos que vivem no Brasil há mais tempo e que prometem uma série de benefícios, como salários elevados, amparo previdenciário e assistência de saúde.
Esses bolivianos recebem por produção e um valor abaixo do salário mínimo. Moram em condições precárias e têm dificuldades com a língua portuguesa. Eles evitam denunciar as irregularidades com medo das ameaças dos compatriotas.
No caso da família e de amigos de Brayan Capcha, os criminosos conseguiram fugir com R$ 4,5 mil das vítimas. Armados com revólveres e facas, os bandidos invadiram o sobrado onde os pais do menino e amigos moram e trabalham. No local vivem mais famílias. Cinco assaltantes usavam máscaras para não serem identificados.
Edição: Juliana Andrade
01/07/2013
Renata Giraldi
Fonte: Agência Brasil








Campanha na África do Sul homenagem a Mandela

África do Sul lança campanha nacional em homenagem a Mandela
No próximo dia 18, data do aniversário do ex-presidente, os sul-africanos devem dedicar "67 minutos de seu tempo" a Nelson Mandela
mandela_bandeira Homenagem
Uma oração ao ex-presidente foi feita em reunião nesta terça-feira no Consgresso Nacional Africano (Foto: AP Photo/Schalk van Zuydam)
Hospitalizado há quase um mês e prestes a completar 95 anos, o ex-presidente da África da Sul e Prêmio Nobel da Paz de 1993,Nelson Mandela, receberá uma série de homenagens no país. O governo lançou uma campanha nacional para que os sul-africanos se inspirem em Mandela e atuem em favor de mudanças positivas. A ideia é que no próximo dia 18, data do aniversário do ex-presidente, os sul-africanos dediquem “67 minutos de seu tempo” a ele, como diz texto da agência pública sul-africana.
Em 2010, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 18 de julho como Dia Internacional de Nelson Mandela. A data é dedicada aos esforços feitos por ele em defesa dos direitos humanos e da resolução de conflitos e reconciliação. Mandela foi o principal responsável pelo fim do apartheid (regime de segregação racial) no país.
O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, disse que o lema das homenagens é “Aja e inspire a mudança. Faça a cada dia um Dia Mandela”. "Madiba [apelido de Mandela que significa O Conciliador] deixa uma marca indelével na nossa sociedade, tendo supervisionado a transição do apartheid para uma sociedade construída sobre os pilares da democracia e da liberdade”, disse Zuma.
O porta-voz do governo, Phumla Williams, ressaltou que Mandela defendeu, ao longo de sua vida, os compromissos com a Justiça, a igualdade e a África do Sul não racial. "Somos lembrados que temos a responsabilidade de promover a liberdade e defender a nossa democracia para honrar os compromissos dele com esses ideais", disse.
Mandela está internado em Pretória desde o último dia 8, em decorrência de uma infecção pulmonar. Nos últimos dias, o estado de saúde dele se manteve estável e crítico, sem alterações, segundo o governo sul-africano. 
Fonte: AGÊNCIA BRASIL








terça-feira, 2 de julho de 2013

Troca de experiências entre refugiados no Brasil

Encontro promove troca de experiências entre refugiados no Brasil

Encontro
22/06/2013 - 17h19
São Paulo – “Tive uma arma apontada para a minha cabeça, na minha casa. O soldado que decidiu não me matar disse: “Agora se manda, que alguém vai vir terminar o serviço”. Fui para o aeroporto e peguei o primeiro avião, que era para o Brasil”. O relato do artista plástico angolano Bantu Tabasisa narra uma situação ocorrida há 19 anos, quando ele precisou deixar seu país de origem em razão de conflitos políticos e buscar refúgio no Brasil. O Comitê Nacional para Refugiados estima que existam, atualmente, 4.336 refugiados no país, dos quais 1.845 estão em São Paulo.
Hoje (22/6), Dia Mundial do Refugiado, 150 pessoas acolhidas no Brasil participaram de uma atividade de trocas culturais no Serviço Social do Comércio. Apesar da dificuldade com o idioma, colombianos, malineses, congoleses, entre outras nacionalidades, apresentaram brincadeiras características de seus países. Uma jovem congolesa ensinou uma atividade similar ao cabo de guerra, mas que, no Congo, é feita com os próprios participantes.
O grupo que participou das atividades é atendido pela Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, que mantém um centro para acolher refugiados no centro da capital paulista. “São populações que chegam muito fragilizadas do processo de transição, seja pelo conflito no país de origem ou pelo próprio percurso. Quando chegam aqui, a dificuldade inicial é a questão da língua”, explicou Maria Cristina Morelli, coordenadora do centro.
Além da assistência social prestada aos refugiados, o centro orienta e presta serviços na área jurídica e de saúde mental. “Muitas vezes, eles chegam e nem sabem que estão no Brasil. As dificuldades são muitas”, apontou. Morelli destaca que a ação inicial é orientá-los a regularizar a situação de refugiados, o que os possibilita obter os direitos da cidadania brasileira. “Quando iniciam o processo, eles adquirem um visto provisório que os permite trabalhar, por exemplo. Eles tiram Carteira de Trabalho e CPF [Cadastro de Pessoa Física]”, explicou.
Foi o que aconteceu com o colombiano Pedro, 40 anos, que pediu para ter o sobrenome omitido. Os conflitos armados no país dele o tornaram perseguido político. “Vim em busca de trabalho. Trouxe minha filha. Agora estamos bem. Pretendo voltar ao meu país, mas só para passear e visitar minha família. Minha mãe pergunta muito se não vou voltar”, declarou. Ele está no país há cinco anos e trabalha como auxiliar de limpeza.
A Agência das Nações Unidas para Refugiados estima que 45,2 milhões estejam deslocadas em todo o mundo, segundo dados de 2012. No último ano, o número aumentou em cerca de 2,3 milhões, na comparação com 2011. A maioria deles vêm de cinco países: Afeganistão, Somália, Iraque, Síria e Sudão. No Brasil, a Angola lidera em número de refugiados, seguida pela Colômbia e Congo.
Camila Maciel
Repórter da Agência Brasil

Fonte Agência Brasil