quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Documentário “Negro Lá, Negro Cá”

Documentário cearense sobre racismo é selecionado para festival de cinema em Portugal

clip_image002

Andy Monroy, um dos entrevistados para o documentário. Foto: Divulgação

O documentário “Negro Lá, Negro Cá”, do jovem cineasta Eduardo Cunha, não foi só um Trabalho de Conclusão de Curso: Sergipe, Rio de Janeiro e até Portugal tiveram ou terão a exibição do filme em três festivais importantes do gênero. O trabalho traz reflexões do racismo sofrido por imigrantes africanos residentes em Fortaleza, no Ceará.

Em entrevista concedida para o portal da Rádio Verdes Mares, Eduardo conta que a ideia veio por meio de conversas com um amigo de Cabo Verde, Andy Monroy. “A gente sempre conversou sobre o racismo e outras questões referentes à adaptação dele e de outros estudantes aqui em Fortaleza”, explica.

O filme foi selecionado para três festivais até agora. O primeiro foi para o XV Encontros de Cinema de Viana do Castelo, em Portugal. O filme foi exibido em maio deste ano. Em seguida, foi selecionado para o 5º SERCINE – Festival Sergipe de Audiovisual e será exibido em outubro de 2015. O mais recente foi o Visões Periféricas, que acontece em agosto, no Rio de Janeiro. Além desses festivais, Eduardo pretende receber novas seleções de outros eventos de cinema nos quais inscreveu o documentário.

Confira o teaser de “Negro Lá, Negro Cá”:

Inicialmente, Eduardo, que é recém-formado em Publicidade e Propaganda pela Unifor, quis acompanhar o cotidiano de alguns imigrantes e fotografá-los, mas “por sugestão do meu professor Wilton Martins, que é fotógrafo e sociólogo, resolvi fazer um documentário. Tratar do racismo num produto audiovisual traria mais possibilidades de fazer as pessoas se questionarem sobre o assunto”, enfatiza.

No documentário, são entrevistados os africanos Andy Monroy (Cabo Verde), Alfa Umaro Bari (Guiné-Bissau), Cornelius Ezeokeke (Nigéria) e Manuel Casqueiro (Guiné-Bissau). “A história de vida de cada um é muito rica e isso se reflete na fala deles. O filme busca trazer inquietação em quem assiste e tenho percebido que o ‘Negro Lá, Negro Cá’ tem cumprido esse papel”, revela Eduardo, entusiasmado.

clip_image004

O diretor Eduardo Cunha. Foto: Thaís Mesquita

Para ele, a repercussão do filme pode fazer com que as pessoas se aproximem do problema que é o racismo e do quanto isso pode ser agressivo. “Gosto de fazer a comparação do filme com uma cadeira, ou um objeto qualquer, em chamas. De longe, podemos nos dar conta de que aquele fogo pode ser prejudicial para nós, fisicamente. Algumas pessoas podem não perceber e precisar chegar mais perto para sentir o calor do fogo e, a partir daí, entender o risco que ele pode representar. Outras pessoas, mesmo estando perto, podem não se dar conta e só perceberem a agressividade do fogo quando se queimarem. Aí elas estarão tendo a experiência mais intensa possível”.

Eduardo Cunha faz parte do 202b, uma equipe cearense dedicada a desenvolver um trabalho que transita em linguagens como vídeo, fotografia, pintura e desenho.

Por: verdinha às 17:34 de 07/08/2015 – Verdes Mares

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Parada Preta Paulista.

 
Quanto dói uma morte? E quando não são uma, duas, três, quatro...
Paulista Manifestação 196 (1024x576)
Semana passada foi a morte do haitiano Fetiere Sterlin, assassinado em Navegantes Santa Catarina com 10 facadas, perto de sua casa junto com sua mulher brasileira. Ontem no dia 31 de outubro foi o jovem angolano Jocéu Wando Capilo estudante intercambista de engenharia que veio realizar seu sonho de se formar e voltar à Angola. Sonhos de jovens querendo se estabelecer no país, sonhos de quem vê a educação como forma de construir um futuro melhor. Sonhos perdidos, despedaçados.
Paulista Manifestação 116 (1024x576)
Como não lembrar dos da jovem Zulmira Cardozo, angolana, que formada queria comemorar, sua graduação e voltar para Angola, e ao encontrar seus amigos num bar do Brás onde a comunidade angolana se estabeleceu foi morta em 2012 com um tiro na testa. Cinco estudantes alvejados uma jovem grávida, e três rapazes. Não só foi a morte de Zulmira, seu namorado veio a falecer meses depois, com o peso de carregar de não ter sido morto em lugar da namorada.
Paulista Jô (50) (1024x576)
Africanos e caribenhos não são bem-vindos no Brasil, o que os encanta do maior país negro de mundo, o Brasil com 60% da população de origem afro-brasileira (preta, negra, morena ou seja lá o termo que você prefira) tem um sério problema de desigualdade social, onde esses 60% são excluídos da sociedade e remanejados para as periferias das grandes cidades. O que os atrai como a luz, os prejudica, excluí e os mata...
Paulista Jô (86) (1024x576)
O Brasil até os anos 60 era uma grande fazenda, os imigrantes europeus vieram para ocupar os lugares dos escravizados, fugidos de guerras e a fome das grandes migrações que o distúrbio pós guerra causa, vieram por serem uma mão de obra mais barata no capitalismo. Onde você usa uma mão de obra assalariada, e a descarta quando não necessita ou não é mais útil. Sem necessidade de comprar o escravizado, e cuidar dele quando fosse necessário, mais fácil usar a mão de obra excedente e farta na Europa e Ásia. E o que fazer com os descendentes de escravizados?
Uma política de contenção e marginalização nas periferias. Onde as prisões são mais importantes que as escolas. Onde os bandos de capitães do mato, transformaram-se em milícias, e as chacinas são a forma de conter pelo medo a população pobre, negra e periférica.
Paulista Manifestação 173 (1024x576)
Hoje domingo 1º. de novembro, os descendentes de Dandara, Zumbi, Nzinga e Toussaint Louverture uniram-se para protestar pelas mortes e violências contra imigrantes africanos e caribenhos, filhos da Diáspora Africana, brasileiros, haitianos, congolenses, angolanos numa manifestação no Vão Livre do Masp, mesmo lugar onde uma manifestação cobrava quem matou os jovens da Chacina dos 19 na Grande São Paulo. Organizado pelo VOHA Voluntários Amigos dos Haitianos, presentes diversas entidades e movimentos sociais.
Paulista Manifestação 163 (1024x576)
Som de um coração enlutado, batia o tambor de Claudete
Um tambor monocórdico, som de um coração enlutado cobrava o descaso no recebimento e acolhimento desses imigrantes. Uma militante Claudete Alves lembrava que somos um país de imigrantes, onde os donos da terra indígenas e africanos escravizados vivem marginalizados.
Paulista Manifestação 197 (1024x576)
Um usuário das barracas de antiguidades, de dedo em riste e atitude ameaçadora tentou calar o som do tambor e a voz dolorosa de quem lamenta os seus mortos. Mulatas tipo exportação de biquínis, e negros sorridentes fazendo música para ioiô dançar são bem-vindos, cidadãos cobrando seus direitos, são negros não são cidadãos.
Arquétipo guerreiro, em defesa da imagem da mãe, mulher, filha, companheiras cobrou rijo o direito:
“ – Quem é você para silenciar a voz dessa mulher que nos representa?
- Cala a boca racista. ”
Tranquila manifestação, presença constante a presença negra se fará na Paulista nos domingos. Ocupando espaços, onde a visibilidade negra, unida com seus parceiros grita pela inclusão e liberdade. Brasil onde todos têm sangue negro, uns no corpo e mente, outros nas mãos.
 
Paulista Jô (93) (1024x576)
Paulista com Itapeva – Parada Preta na Paulista
Unidos num espaço de liberdade no novo espaço dos paulistanos aos domingos, Avenida Paulista com rua Itapeva, uma ocupação como nos tempos da 24 de Maio, ou frente o Mappin um ponto de encontro de arte, cultura e alegria negra da Diáspora Africana em São Paulo: “Parada Preta na Paulista” #paradapretanapaulista
Hugo Ferreira Zambukaki




















sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Angola pensar é crime Pressão Internacional

O professor Boaventura de Souza Santos, professor da Universidade de Coimbra, na PUC (Pontifícia Universidade Católica) de SP, onde lançava seus dois novos livros “O Direito dos Oprimidos” e “A Justiça Popular em Cabo Verde” (Cortez Editora), para ampliar vozes e diálogos junto dos Movimentos Sociais. Tendo como foco emergências e desafios das lutas sociais por cidadania e direitos, espera-se com o evento potencializar articulações e interconectar saberes em favor de uma agenda emancipatória de luta por direitos.

Agostinho 2

Interpelado por um jovem angolano no Brasil, Agostinho Martinho sobre a questão de cerceamento da liberdade de expressão em Angola, sobre os presos políticos angolanos, responde numa forma emocionada sobre a questão angolana e o envolvimento necessário dos jovens e movimentos sociais brasileiros, para formar uma pressão internacional ao Governo Angolano.

Lembrou que o Governo Brasileiro não tem interesse nas críticas sociais nos países em que tem interesses em negócios, pouco preocupado com as questões sociais ou defesa dos Direitos Humanos. Citou o caso do moçambicano Boaventura Monjane impedido de entrar no Brasil por críticas à Vale do Rio Doce, que desenvolvia um projeto que prejudicava milhares de famílias em Moçambique. O visto de entrada brasileiro só foi concedido por pressão internacional. O mesmo ocorre em Angola com as empresas transnacionais brasileiras, envolvidas em negócios que estão sobre investigação.

Boaventura Mojane

Chama a atenção de que a questão dos presos políticos angolanos, não é um problema de Angola, e sim uma preocupação de todos que se preocupam com a liberdade de expressão e defesa dos Direitos Humanos. No momento em que os jovens angolanos no Brasil se levantam contra essa opressão, ficam fragilizados sem apoio dos jovens brasileiros e da sociedade civil, podendo sofrer pressões e penalidades (o que já está ocorrendo), só com o apoio em manifestações e assinaturas do pedido de liberdade dos brasileiros, poderão se sentir seguros no seu justo pedido de uma democracia para Angola.

A paralisação da greve de fome pelo preso político Luaty Beirão, no seu 36º dia um fato simbólico idêntico aos 36 anos de permanência do presidente José Eduardo dos Santos de forma interrupta, não significa uma vitória mas uma continuidade de luta, já que os 15 + 2 presos políticos serão julgados agora no mês de novembro. Acusados por estarem lendo um livro de tentativa de golpe contra o presidente José Eduardo no poder há 36 anos, onde em Angola pensar torna-se um crime.

Assista o depoimento do professor Boaventura de Souza e o pedido de participação para a Sociedade Brasileira.

Em finais dos anos 1960, partiu para a Universidade de Yale com o objetivo de se doutorar. A sua tese de doutoramento, publicada pela primeira vez em português em 2015 (Direito dos Oprimidos, Almedina), é um marco fundamental na sociologia do direito, que resultou do trabalho de campo centrado em observação participante numa favela do Rio de Janeiro.

Fontes: Transnacionais avançam sobre Moçambique http://www.brasildefato.com.br/node/4606

Wikipédia Biografia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Boaventura_de_Sousa_Santos

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O "racismo cordial brasileiro" mata mais uma vez.

 

Bata

Em 2012 quando ocorreu o ataque aos estudantes angolanos no Brás, nossa irmã Zulmira Cardoso morreu assassinada com um tiro na cabeça. Nesse momento foram organizados protestos e surgiu uma "Mobilização Zulmira Somos Nós" outros casos de mortes e violências foram levantados na época contra africanos e caribenhos. No dia da manifestação em frente a Secretaria de Justiça, denúncias de morte e violências contra imigrantes latinos americanos em São Paulo, totalmente ignorados pela polícia e mídia tradicional.

clip_image002

Surge nas mortes a invisibilidade dos descendentes de escravisados: “Índios” nativos da América e africanos, todos escravisados pelos “colonizadores europeus” diferentes mas negros (termo usado para escravizados) : “negros da terra” (índios) e “negros da guiné”. Todos periféricos e excluídos do sistema.

Por serem negros (pretos) recebem o ódio de uma sociedade que ainda não sabe lidar com o passado de ter sido o maior país escravagista do mundo. O que fazer com os descendentes de ex-escravizados no Brasil? Exclui-los e confinar nas periferias, erguer grandes muros, guaritas, e uma força policial destinada a proteger à propriedade particular dos privilegiados. Erguer muros, barreiras em shoppings, condomínios e praias.

Os imigrantes e refugiados, não tem a "paciência" ou a malícia do negro brasileiro de não responder à provocações, quando reagem à essas provocações, são violentamente espancados ( caso dos estudantes angolanos na USP que roubados, foram reclamar para a polícia confundidos com ladrões apanharam da polícia) ou morrem como Zulmira Cardoso a angolana que iria voltar diplomada morta com um tiro na cabeça ou o haitiano Fetiere Sterlin morto recentemente com dez facadas no peito.

Sterlin 

O haitiano Fetiere Sterlin

Os movimentos negros na sua retomada nos anos 70 tinham uma ampla articulação com os movimentos africanos  e da Diápora africana. Havia contato com Angola, Moçambique, Cabo Verde, África do Sul,  França e Estados Unidos.

Hoje muita coisa se perdeu, quando se fala em uma ação pan-africanista de solidariedade, há setores que dizem: “temos de nos preocupar com os nossos problemas, do genocídio da juventude negra no Brasil…” Esquecem que separados não somos tão fortes, e que o Brasil pouco ou nada aparece na mídia internacional. Essa visão de um projeto de união pan-africanista surge forte quando os movimentos contra a violência do estado contra a população negra, pobre e periférica (Amparar, Mães de Maio, Mães do Cárcere) se unem em apoio ao pedido de solidariedade aos presos políticos angolanos: Liberdade Já! #liberdadeja

O que apoiar em cenários políticos complexos e distantes. A mídia tradicional brasileira é voltada para uma visão eurocentrista e norte-americana. Nessas horas é que surge a voz forte do poeta Solano Trindade “pernambucano que se instalou no Embu das Artes em São Paulo).

Solano Trindade Negros

 

Mães de Maio: Liberdade já! Aos jovens angolanos presos.

clip_image004

Cohab 2 Itaquera Zona Leste SP

Importantes organizações dos movimentos negros e periféricos unem-se no pedido da libertação dos jovens ativistas angolanos entre elas a OLPN (Organização pela Libertação do Povo Negro) , Círculo Palmarino, Conen (Coordenação Nacional de Entidades Negras), o SOS Racismo da Assembleia Legislativa de São Paulo através de sua coordenadora Eliane Dias. Vários rappers e músicos brasileiros se unem à luta dos rappers angolanos. Um deles é Chico César.

SOS Eliane (26) (1024x576)

Luiza Erundina deputada brasileira apresentou em seu pronunciamento hoje, no parlamento federal, uma moção de apoio aos presos políticos angolanos e apelo à ‪#‎LiberdadeJá dos 15+2. A moção será encaminhada ao Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos.

 

Hora de organizar uma frente, contra as violências racistas contra africanos e caribenhos no Brasil. É essa a proposta da Mobilização Diáspora SP."

Hugo Ferreira Zambukaki

Fontes:

Discurso da deputada Luiza Erundina https://www.youtube.com/watch?v=PcWtEbH0-jM

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/10/19/haitiano-e-assassinado-em-navegantes-sc.htm

Estudantes estrangeiros da USP são espancados pela polícia militar, após reagirem a provocações racistas
Leia a matéria completa em: Estudantes estrangeiros da USP são espancados pela polícia militar, após reagirem a provocações racistas - Geledés http://www.geledes.org.br/32721/#ixzz3pIwWNmEi
Follow us: @geledes on Twitter | geledes on Facebook

O "racismo cordial brasileiro" mata mais uma vez.

 

Bata

Em 2012 quando ocorreu o ataque aos estudantes angolanos no Brás, nossa irmã Zulmira Cardoso morreu assassinada com um tiro na cabeça. Nesse momento foram organizados protestos e surgiu uma "Mobilização Zulmira Somos Nós" outros casos de mortes e violências foram levantados na época contra africanos e caribenhos. No dia da manifestação em frente a Secretaria de Justiça, denúncias de morte e violências contra imigrantes latinos americanos em São Paulo, totalmente ignorados pela polícia e mídia tradicional.

clip_image002

Surge nas mortes a invisibilidade dos descendentes de escravisados: “Índios” nativos da América e africanos, todos escravisados pelos “colonizadores europeus” diferentes mas negros (termo usado para escravizados) : “negros da terra” (índios) e “negros da guiné”. Todos periféricos e excluídos do sistema.

Por serem negros (pretos) recebem o ódio de uma sociedade que ainda não sabe lidar com o passado de ter sido o maior país escravagista do mundo. O que fazer com os descendentes de ex-escravizados no Brasil? Exclui-los e confinar nas periferias, erguer grandes muros, guaritas, e uma força policial destinada a proteger à propriedade particular dos privilegiados. Erguer muros, barreiras em shoppings, condomínios e praias.

Os imigrantes e refugiados, não tem a "paciência" ou a malícia do negro brasileiro de não responder à provocações, quando reagem à essas provocações, são violentamente espancados ( caso dos estudantes angolanos na USP que roubados, foram reclamar para a polícia confundidos com ladrões apanharam da polícia) ou morrem como Zulmira Cardoso a angolana que iria voltar diplomada morta com um tiro na cabeça ou o haitiano Fetiere Sterlin morto recentemente com dez facadas no peito.

Sterlin 

O haitiano Fetiere Sterlin

Os movimentos negros na sua retomada nos anos 70 tinham uma ampla articulação com os movimentos africanos  e da Diápora africana. Havia contato com Angola, Moçambique, Cabo Verde, África do Sul,  França e Estados Unidos.

Hoje muita coisa se perdeu, quando se fala em uma ação pan-africanista de solidariedade, há setores que dizem: “temos de nos preocupar com os nossos problemas, do genocídio da juventude negra no Brasil…” Esquecem que separados não somos tão fortes, e que o Brasil pouco ou nada aparece na mídia internacional. Essa visão de um projeto de união pan-africanista surge forte quando os movimentos contra a violência do estado contra a população negra, pobre e periférica (Amparar, Mães de Maio, Mães do Cárcere) se unem em apoio ao pedido de solidariedade aos presos políticos angolanos: Liberdade Já! #liberdadeja

O que apoiar em cenários políticos complexos e distantes. A mídia tradicional brasileira é voltada para uma visão eurocentrista e norte-americana. Nessas horas é que surge a voz forte do poeta Solano Trindade “pernambucano que se instalou no Embu das Artes em São Paulo).

Solano Trindade Negros

 

Mães de Maio: Liberdade já! Aos jovens angolanos presos.

clip_image004

Cohab 2 Itaquera Zona Leste SP

Importantes organizações dos movimentos negros e periféricos unem-se no pedido da libertação dos jovens ativistas angolanos entre elas a OLPN (Organização pela Libertação do Povo Negro) , Círculo Palmarino, Conen (Coordenação Nacional de Entidades Negras), o SOS Racismo da Assembleia Legislativa de São Paulo através de sua coordenadora Eliane Dias. Vários rappers e músicos brasileiros se unem à luta dos rappers angolanos. Um deles é Chico César.

SOS Eliane (26) (1024x576)

Luiza Erundina deputada brasileira apresentou em seu pronunciamento hoje, no parlamento federal, uma moção de apoio aos presos políticos angolanos e apelo à ‪#‎LiberdadeJá dos 15+2. A moção será encaminhada ao Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos.

 

Hora de organizar uma frente, contra as violências racistas contra africanos e caribenhos no Brasil. É essa a proposta da Mobilização Diáspora SP."

Hugo Ferreira Zambukaki

Fontes:

Discurso da deputada Luiza Erundina https://www.youtube.com/watch?v=PcWtEbH0-jM

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/10/19/haitiano-e-assassinado-em-navegantes-sc.htm

Estudantes estrangeiros da USP são espancados pela polícia militar, após reagirem a provocações racistas
Leia a matéria completa em: Estudantes estrangeiros da USP são espancados pela polícia militar, após reagirem a provocações racistas - Geledés http://www.geledes.org.br/32721/#ixzz3pIwWNmEi
Follow us: @geledes on Twitter | geledes on Facebook

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Meias verdades, constroem grandes mentiras

 

Bom dia professora Márcia Ghalyella, interessante o vídeo: “Algumas mentiras sobre escravidão que você acreditou a vida inteira” do “Canal Fatos desconhecidos” que eu desconhecia

Mais a proposta de ter que dar uma resposta, para os alunos do Ensino Fundamental II , do 6 ano de escolaridade de Cubatão-

 

Acabamos de assistir Josiani e eu, somos professores, e a primeira impressão que fica é que esse vídeo não leva as pessoas à pensarem. Traz uma ideia pronta, feita para contestar algo.

Resumindo é uma peça de propaganda, vídeo bem feito tecnologicamente, produção, uma preocupação com o apresentador trazer a mistura racial brasileira. Todo um cuidado e preocupação, e aí vem a pergunta: “Quem está financiando e por quê? ”

O discurso ideológico desse vídeo, é o mesmo da Rede Globo, através do Ali Kamel e seus livros contra as Cotas e colocando os descendentes de africanos escravizados como acomodados e querendo algo indevido como Cotas e Reparações. Isso por si só é um debate de várias teses. Fico com as palavras do professor e doutor Milton Santos “A classe média não requer direitos, e sim privilégios. ”

U291099ACME

Uma peça de propaganda transforma meias verdades. Há um documentário sobre as propagandas nazistas antes da guerra, onde Hitler jogava a força e o desenvolvimento econômico e militar da Alemanha nazista da diretora Leni Riefenstahl, as mesmas imagens foram usadas num documentário norte-americano com outra mensagem contra o nazismo dirigidas pelo diretor Frank Capra.

Você pode ver um copo meio cheio, ou meio vazio ou informar que ele está pela metade, ou cheio de ar e líquido. Depende do que você defende, ou se quer que as pessoas desenvolvam o raciocínio e o livre arbítrio.

Copo pela metade

Hoje na historiografia brasileira contestam a visão do historiado Décio Freitas, que escreveu sobre Palmares e a Guerra do Paraguai. Alegam que é uma visão marxista, e o documentário entra nessa linha histórica de revisão. Há controvérsia no que o documentário apresenta no momento que apresenta o copo meio vazio, e as outras versões?

Hoje há revisões históricas de tudo. Questiona-se o papel de Tiradentes, dizem até que não foi enforcado e viveu na numa das Colônias portuguesas na África, questiona-se a existência histórica do “Aleijadinho” e o “History Channel” que muitas vezes é citado como fonte confiável, apresenta documentários questionando a história de Jesus, e até negando sua existência histórica. O canal “Discovery Channel” da mesma empresa apresentou há poucos um documentário “Sereias” sobre a existência de fósseis, um professor doutor apresentado evidências. E tudo falso, o professor doutor um ator, a história das sereias os fósseis uma farsa apresentada aos assinantes do canal como verdadeiro.

Sereias

Pseudo-Documentário Nermaids (Sereias) do Discovery Channel e Animal Planet

Como acreditar num documentário “Algumas mentiras sobre escravidão que você acreditou a vida inteira que usa fontes falsas?

Esse documentário é uma peça de propaganda para justificar as Cotas como indevidas.

Como está a situação dos descendentes dos escravizados, nativos da América e da África hoje no Brasil? Não há necessidade de compensar essa desigualdade histórica?

A escravidão africana e nativa americana foi usada para destruírem impérios e civilizações e tomarem a terra em nome do rei e do papa. Quem foi o papa Alexandre VI (Rodrigo Borgia) que assinou a divisão da América o papa mais corrupto, e devasso da história papal.

Houve escravidão em todos os povos, mas só em dois locais se usou de forma violenta para destruir e depois ocupar as terras, América e África.

Qual a diferença entre imigrantes que vieram para o Brasil e os escravizados ameríndios e africanos? No caso dos imigrantes a força era a unidade familiar (uma família 4 enxadas), no caso dos escravizados era a destruição da família e da cultura para exercer a opressão da escravidão

Esse documentário reforça a ideia com meias verdades, a como fosse mentira a afirmação e luta dos escravizados africanos e indígenas lutando contra a exclusão que vivemos.

Grande abraço Márcia, somos admiradores do seu trabalho

Hugo Ferreira Zambukaki

 

Fontes que podem ser consultadas:

Cinema, Propaganda e Ideologia http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/05/cinema-propaganda-e-ideologia.html

Lá vamos nós de novo: As incansáveis sereias que não morrem jamais

https://calmariatempestade.wordpress.com/2013/05/29/la-vamos-nos-de-novo-as-incansaveis-sereias-que-nao-morrem-jamais/

- Hugo Ferreira Zambukaki, é professor, advogado colaborador de diversas páginas Catorze de Maio, Zambukaki, Zulmira Somos Nós entre outras

- Márcia Ghalyella Professora na Prefeitura de Cubatão e Prefeitura Municipal de Guarujá

Participante da página Leis 10.639/03 e 11.645/08 - Material de apoio ao educador

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Imigrantes e refugiados no Brasil

Momento de reflexão e ação

O maior foco é o preconceito existente na imigração aos africanos e seus descendentes (no caso do Brasil os haitianos). O que devemos ou podemos fazer como grupo.

Em Londrina, uma atitude covarde foi transformada em exemplo de gentileza e solidariedade:
Na manhã de hoje, um senegalês foi alvo de ofensas racistas e preconceituosas. Uma moradora da região, jogou na direção dele uma banana, o xingou e ainda o agrediu com um tapa.
Uma senhora incomodada com a situação, pediu desculpas ao rapaz e disse que o povo brasileiro não é assim. Que orgulho desta atitude!
Por um mundo com mais amor, mais senhora como esta e menos preconceito!

Fonte:Rede Massa

https://video-gru1-1.xx.fbcdn.net/hvideo-xla1/v/t42.1790-2/11991461_902286973160565_1561022138_n.mp4?efg=eyJybHIiOjQ2NCwicmxhIjo1MTJ9&oh=e80046ead4d72e852b88c7b753423571&oe=55F318D3

Não é uma questão acadêmica, nem palavreado. Uso meios de transporte de massa e todo dia encontramos uma quantidade grande de africanos e haitianos que vivem nas periferias da Grande São Paulo.

Manifestação Zulmira

foto Hugo Zambukaki

Em 2012 participamos com um grupo de jovens estudantes angolanos, das manifestações contra os autores dos tiros que mataram a jovem angolana Zulmira Cardoso, e atingiram mais quatros estudantes angolanos no Bairro do Brás em São Paulo. Não são apenas bananas que jogam.

Por força da Mobilização Zulmira somos nós e apoio do Consul de Angola em São Paulo Belo Mangueira presente por 13 horas com os estudantes angolanos durante o julgamento, um dos acusados foi condenado à 37 anos.

No dia da Manifestação em frente à Secretária da Justiça em São Paulo outras mortes e desaparecimentos foram relatados e aí também por sul-americanos (paraguaios e bolivianos). Na época pensou em tornar-se a Mobilização uma ação permanente dos grupos do Movimento (ou mesmo dos que agem sem entidades). Não foi levado à frente por vários motivos, mas está chegando a hora de pensar novamente em uma ação dos vários grupos em uma Frente de ação. Há em São Paulo imigrantes ou refugiados de mais de 20 países africanos. Hora de reflexão e ação.